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28/10/2015

Realismo Brasileiro


Realismo no Brasil


• As raízes do Realismo brasileiro remontam a Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida.

• Lentamente, os escritores abandonam o verso condoreiro ou grandiloquente de Castro Alves e o idealismo de José de Alencar, com sua tendência a enaltecer o índio, transformando-o na figura do “bom selvagem” de Rousseau.

• Passa a ocorrer uma tentativa de reconhecimento da realidade brasileira, acompanhada da reelaboração da linguagem.

• Há uma diversificação das técnicas narrativas, seja na utilização do material regional como base da ficção, seja no estudo de individualidades e seus relacionamentos sociais.

• O texto literário ganha autonomia. Não há mais um projeto nacional a lhe determinar o conteúdo ou a forma. O texto passa a ser obra de arte autônoma, cujo objetivo é, antes de tudo, exatamente esse: ser obra literária.

Contexto Histórico

  • Surgiu a partir da segunda metade do século XIX. 
  • As idéias do Liberalismo e Democracia ganham mais espaço. 
  • As ciências evoluem e os métodos de experimentação e observação da realidade passam a ser vistos como os únicos capazes de explicar o mundo físico. 
  • Em 1870, iniciam-se os primeiros sintomas da agitação cultural, sobretudo nas academias de Recife, SP, Bahia e RJ, devido aos seus contatos frequentes com as grandes cidades europeias. 
  • Houve também uma transformação no aspecto social com o surgimento da população urbana, a desigualdade econômica e o aparecimento do proletariado. 
  • O Realismo iniciou-se na França, em 1857, com a publicação de “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert.
  • No Brasil foi em 1881, com “Memórias Póstumas da Brás Cubas” de Machado de Assis e “O Mulato” de Aluísio Azevedo.

Características do Realismo

  • Oposição ao idealismo romântico. Não há envolvimento sentimental 
  • Representação mais fiel da realidade 
  • Romance como meio de combate e crítica às instituições sociais decadentes, como o casamento, por exemplo 
  • Análise dos valores burgueses com visão crítica denunciando a hipocrisia e corrupção da classe 
  • Influência dos métodos experimentais 
  • Narrativa minuciosa (com muitos detalhes) 
  • Personagens analisadas psicologicamente 

Características da linguagem realista

  • Objetivismo;
  • Linguagem culta e direta;
  • Narrativa lenta, que acompanha o tempo psicológico;
  • Descrições e adjetivações objetivas, com a finalidade de captar a realidade de maneira fidedigna;
  • Universalismo;
  • Sentimentos, sobretudo o amor, subordinados aos interesses sociais;
  • Herói problemático, cheio de fraquezas;
  • Não idealização da mulher.

Representantes do Realismo/Naturalismo no Brasil:

  • Machado de Assis
  • Aluísio Azevedo
  • Raul Pompéia
  • Inglês de Sousa
  • Manuel de Oliveira Paiva
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26/10/2015

Obra: Quincas Borba- Machado de Assis (1892)


Resumo em tópicos

  • À janela de uma grande casa de Botafogo, Rubião admirava um pedaço de água. Há uns anos era professor, agora, capitalista.
  • Quincas Borba, o mesmo de Memorias póstumas de Brás Cubas, mendigo, herdeiro inopinado e inventor de uma filosofia. Era irmão de Maria da Piedade, uma viúva que enamorou Rubião.
  • Quincas fez tudo para casá-los, ela resistiu e um pleuris a levou.
  • Cedo perceberam em que ele tinha um grãozinho de sandice, que se alastrava devagar.
  • Rubião achou um rival no coração de Quincas Borba- um cão bonito, médio, com o pêlo cor de chumbo, malhado de preto. Seu dono o dera o mesmo nome por dois motivos:
  • “desde que Humanitas é o principio da vida e reside em toda a parte, existe também no cão, e este pode assim receber nome de gente, seja cristão ou mulçumano...”
  • “se eu morrer antes, sobreviverei no nome de meu cachorro.”
  • Ainda que doente, Quincas resolveu viajar para Rio de Janeiro, por um mês.
  • Lá Quincas Borba falece e nomeia Rubião seu herdeiro universal.
  • Rubião dá o cachorro para sua comadre, porém logo descobre          que uma das clausulas é que ambos permaneçam juntos.
  • Regulados os preliminares para a liquidação da herança, Rubião tratou de viajar logo ao Rio de Janeiro;
  • Na estação de Vassouras, embarcaram Sofia e o marido Cristiano de Almeida e Palha, este tinha 32 anos, ela 27. Eles conhecem Rubiao e ele lhes conta que é herdeiro universal de seu amigo, Palha, tentando ser seu amigo, disse que não era para ele contar isso a todos.
  • Quando chegaram à Corte, Palha ofereceu sua casa em Santa Teresa, e Rubiao disse que ia para a Hospedaria União. Logo se tornaram grandes amigos.
  • Rubião ficou encantado com os olhos de Sofia, encantamento que só aumentou ao longo dos dias, até se tornar uma grande paixão. 
  • As trocas de olhares e supostas atenções dirigidas por Sofia à Rubião o tornava mais apaixonado e o fazia crer que era correspondido. Durante um almoço com dois amigos, Freitas um homem muito agradável, humilde e admirável e Carlos Maria, jovem, orgulhoso e esnobe, recebeu uma cestinha com morangos e um bilhete escrito por Sofia lhe convidando para um jantar. Tal mimo o animou mais ainda quanto à paixão que sentia.
  • No horário marcado foi para Santa Teresa, localidade da casa de Palha. Haviam ali outros convidados apenas uma das senhoras era solteira, na verdade uma solteirona. D. Tonica, que obviamente encheu-se de interesse por Rubião, mas a troca de olhares entre ele e Sofia lhe desesperançou, afinal Sofia que já era casada possuía outros homens em vez de lhe deixar. 

  • Sofia convidou ambos para um passeio ao luar no jardim, mas apenas Rubião aceitou. E foi ali no jardim que se declarou para Sofia, a pobre não teve reação, até que foram interferidos pelo major Siqueira.
  • Sofia conseguiu se recompor e iludir o homem acerca do que acontecera, no entanto Rubião se perdeu em embaraço. Assim a noite seguiu ao fim.
  • A sós Sofia e Palha conversavam sobre o jantar e Palha ouviu os fatos do jardim, Sofia desejava um corte violento na amizade, mas Palha preferiu ignorar tal acontecimento. Afinal, os homens se maravilharem com Sofia não era novidade, era vaidade de Palha mostrar a bela mulher que tinha, por isso dava-lhe vestidos decotados que lhe deixavam o colo e os braços nus. 
  • A verdade era que Palha tinha negócios com Rubião, não só lhe devia dinheiro como também eram sócios em um comércio de importações.
  • Chegou da “roça” uma prima de Sofia, Maria Benedita e sua mãe.
  • Sofia insistia que era necessário que a prima aprendesse francês e a tocar piano, mas as saudades que sentiam do campo sempre lhes levavam embora.
  • Porém, dessa vez Maria Benedita ficou e sempre que as saudades da mãe e do campo lhe viam ela e Sofia iam para lá.
  • Em certo baile por quinze minutos Sofia e Carlos Maria valsaram e foi durante essa dança que ele se declarou. Essa declaração não foi revelada a Palha. E ainda despertou em Rubião uma grande onda de cíume e em Maria Benedia um desejo de voltar para o campo.
  • Por esses tempos Sofia, a prima e mais algumas senhoras haviam formado a comisão de Alagoas, tal grupo fez D. Fernanda e Maria Benedita criarem laços de amizades. D. Fernanda era prima de Carlos Maria e pretendia casar-lhe com uma amiga do sul, mas sua amizade com Maria Benedita lhe mudou de idéia e assim o casamento entre os dois foi marcado.
  • O ciúme de Rubião diminuiu suas idas à casa de Palha.
  • Em uma tarde chegou um negro em sua casa e lhe entregou uma carta de Sofia, leu-a, quando o negro saía caiu uma carta que Rubião só veio ver depois que o moleque já tinha ido embora.
  •  Ela era de Sofia para Carlos Maria. Rubião ficou extremamente enciumado e foi nessas condições que alguns dias depois foi ter com Sofia, lhe entregou a carta acusando-a e saiu antes da senhora ter a chance de se explicar.
  •  A carta ainda estava fechada.
  • Chegou então o aniversário de Sofia, Palha lhe ofereceu um baile, em certo momento Sofia ficou a sós com Rubião e esclareceu o conteúdo da carta, entre as lágrimas pela falsa acusação lhe disse que ele estava tremendamente enganado.
  • Noticiou também a ele o casamento de Carlos Maria com Maria Benedita.
  • Rubião foi tomado por uma felicidade tremenda e parabenizou a noiva com muito prazer.
  • Os noivos casaram e foram para a Europa. 
  • Por esses tempos Palha havia findado os seus negócios com Rubião.
  •  Por esses tempos também Rubião havia ganhado fama na corte e era cercado por muitos amigos que praticamente viviam em sua casa como discípulos de sua filosofia. E iniciou-se a loucura de Rubião.
  • O primeiro ato de loucura foi quando chamou um barbeiro para que lhe cortasse a barba como a de Napoleão III.
  • Depois buscou por Sofia e se declarou a ela como Napoleão fez à sua amante.
  • Com o tempo as crises de loucura aumentavam, e o dinheiro ia se findando. Palha e Sofia estreitaram suas relações com ele.
  • Nas visitas que faziam sempre se assustavam com as crises que às vezes aconteciam. 
  • D. Fernanda dizia ver nos olhos dele a recuperação, se fosse tratado.
  • Palha lhe comprou uma casa menor onde iniciou um tratamento, os “discípulos” só assim findaram suas visitas. A esse ponto voltou da Europa Maria Benetida que veio ter sua filha na corte.
  • Rubião foi internado em uma clínica para ser tradado, já se tornara chacota na rua.
  • Palha e Sofia contribuíam com tais atos, financeiramente Rubião havia perdido muito.
  • O médico ao longo do tratamento disse que rápido o homem estaria curado, mas antes disso ele desapareceu.
  • Palha havia lhe dado cem mil contos de réis para se ver livre do homem. Rubião e o cão Quincas Borba voltaram pra Minas, não houve cura.
  • Lá reconheceu toda sua antiga vida, mas sem ter onde ficar dormiu na porta da igreja debaixo de uma tempestade.
  • Ao amanhecer uma comadre o reconheceu e o acolheu. No entanto ele teve nova crise e toda a cidade veio testemunhar a loucura do homem.
  • Louco e vítima de uma febre, faleceu. Quincas Borba morreu três dias depois.

Personagens:

  • Quincas Borba: filosofo, amigo de Brás Cubas e Rubião, inventor de uma filosofia: Humanitismo.
  • Quincas Borba: cão, bonito, médio, com o pêlo cor de chumbo, malhado de preto. Seu dono o dera o mesmo nome, reprodução de seu dono.
  • Rubião: ingênuo, ex-professor, ficou rico por ser herdeiro universal de seu amigo, Quincas Borba, é explorado financeiramente por seus “amigos”.
  • Sofia: típica mulher machadiana: linda, manipuladora, que gosta de ser admirada e possui “olhos de convite”. Troca olhares com Rubião e o faz acreditar que tem chances com ela.
  • Cristiano Palha: marido de Sofia, gosta de exibi-la aos outros e é com controla os gastos de Rubião.
  • Major Siqueira: juntamente com a filha, planejam a ascensão social, o que não conseguem.
  • D. Tonica: quarentona solteira que se apaixona por Rubião ate perceber as trocas de olhares entre ele e Sofia.
  • D. Fernanda: mulher muito conceituada, da alta sociedade, parente de Carlos Maria.
  • Carlos Maria: jovem da alta sociedade, que desperta o interesse de Sofia e casa-se com Maria Benedita
  • Maria Benedita: prima de Sofia, vinda do interior, sente ciúmes da prima com Carlos Maria
  • Camacho: jornalista inescrupuloso, sócio de Rubião no jornal Ataiala.

Contexto histórico da obra

Publicada entre 15/06/1886 a 15/09/1891 na revista Estação, é a continuação da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, marco inicial do Realismo no Brasil. 

Foco narrativo

Narrador onisciente, que conta a historia em terceira pessoa, onde Machado de Assis intervém e foi um antecipador da chamada estética de receptação ao incluir em suas narrativas, o diálogo entre o narrador e o leitor. Este é, também, personagem, um leitor virtual, explicitado ou não na narrativa.

Tempo e Espaço

A história inicia-se em 1867, em Barbacena, MG, estendendo-se para o Rio de Janeiro, a partir de 1870. O desfecho dramático de Rubião é, também, em Barbacena, alguns anos depois.

Importância do livro


Quincas Borba não é o romance mais conhecido de Machado de Assis – posto disputado por Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro –, mas tem a mesma relevância. Diferentemente do que acontece nessas obras, o narrador, aqui, se apresenta sob o foco da terceira pessoa, mas nem por isso deixa de haver o mesmo questionamento da verdade que caracterizava o autor.

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22/10/2015

Obra: Dom Casmurro - Machado de Assis (1899)


Enredo

Tudo começa quando José Dias apressa D. Glória, mãe de Betinho, a colocá-lo no seminário, já que ela fez uma promessa quando o menino ainda era um bebê.  Bentinho ouve tudo, inclusive a desconfiança de José Dias, de que ele pode estar apaixonado por Capitu, e na verdade Bentinho acaba descobrindo que realmente está.  Ele fala para Capitu de sua ida ao seminário, ela pede que Bento fale com José Dias para que ele converse com D. Glória fazendo-a desistir da promessa. Não adianta muito, a mãe não muda de ideia e a única coisa que resta é a promessa de Bentinho e Capitu de que vão se casar sob qualquer circunstância. Assim, Bentinho vai para o seminário, onde se torna muito querido por todos e conhece Escobar, garoto que vai se tornar seu melhor amigo. Entre alguns finais de semanas e feriados Bentinho pode voltar para casa, e lá não esconde seu desejo de sair do seminário, assim como seu amigo Escobar que alega ter vocação para o comércio.  
D. Glória também já não tem tanta vontade que o filho continue no seminário e cogita a hipótese de Bentinho se casar, entretanto não quer quebrar a promessa que fez.  Daí padre Cabral sugere a D. Glória colocar outro garoto no lugar de Bentinho, assim a promessa não será quebrada. Com isso Bento sai do seminário e Escobar também, ele se casa com Capitu e seu amigo com Sancha, suas vidas são alegres e tranquilas, Sancha e Escobar tem uma filha e Bento e Capitu não, mas sonham em ter um bebê. Passado um tempo, eles conseguem ter um filho, cujo nome é Ezequiel e tem um costume de imitar as pessoas.
Escobar morre afogado e daí começam as suspeitas de Bentinho em relação ao adultério de Capitu, pois no enterro de Escobar, Capitu demonstra seus sentimentos de maneira diferente e olha com seus  ‘’olhos de ressaca’’ para a corpo. Além do mais, a cada dia que passa Ezequiel vem se parecendo mais  com Escobar. Bentinho alega que Capitu o traiu com seu amigo, pois já os tinha visto muitas vezes sozinhos, Capitu não chega a negar, mas acaba pedindo a separação. Bentinho pensa em se matar e até mesmo matar a esposa e o filho, porém, por falta de coragem, acaba desistindo. Capitu vai para a Europa com o filho, onde acaba morrendo e Ezequiel acaba voltando para encontrar-se com o pai. Ao rever o filho, Bentinho percebe que Ezequiel está cada vez mais parecido com Escobar, o que só concretiza suas suspeitas a respeito do adultério da esposa.  Resolve aceitá-lo como filho, no entanto, Ezequiel morre em uma viagem a Jerusalém, vítima de uma febre.
Bentinho, agora denominado Dom Casmurro, vive sozinho no Engenho Novo recordando o passado e as histórias de Capitu, motivo pelo seu sofrimento pessoal, que nem ele mesmo conseguiu provar se houve ou não um adultério.

Personagens

  • Capitu: Segundo José Dias tinha ‘’olhos de cigana oblíqua e dissimulada’’ era uma mulher afrente de seu tempo, independente e forte emocionalmente. Era ‘’ alta, cheia, vestia um vestido de chita meio desbotado e tinha cabelos grossos amarrados por uma trança, tinha olhos grandes e claros e nariz reto’’.
  • Bentinho: Era inseguro, criado pela mãe e mimado pelos tios. Foi para um seminário devido a uma promessa de sua mãe, mas não tinha vocação para padre. Era um típico jovem da elite do Rio de Janeiro do século XIX.
  • D. Glória: Mãe de Betinho era viúva e também era uma mulher forte e independente que criou Bentinho sozinha, sem a presença do marido.
  • Pedro Santiago: Pai de Bento, que faleceu, o filho não tem muitas lembranças além do pai ser ‘’alto e ter olhos arregalados’’.
  • José Dias: O agregado na casa de Bentinho. Amava os superlativos e é quem incentiva a ida do menino para o seminário, cuida e protege Bento com um aspecto paternal.
  • Padre Cabral: É quem ensina Bentinho aulas de latim e lições para o seminário, mais tarde, com a vontade do menino de sair, é ele quem dá a ideia a D. Glória para colocar outro no lugar de Bento.
  • Prima Justina: Tia de Bentinho, pessoa egoísta que sempre vê o lado ruim das pessoas, como ressalta no livro ‘’conta o mal de Pedro a Paulo e o que viu de mal em Paulo a Pedro’’.
  • Sancha: Amiga de Capitu do colégio e que vai se casar com Escobar.
  • Senhor Pádua e D. Fortunata: São os pais de Capitu, o pai é apaixonado por pássaros e a mãe parecia com Capitu fisicamente.
  • Tio Cosme: O homem gordo, advogado e também viúvo, trabalha em um escritório na cidade. É um personagem neutro, não é a favor nem contra a vontade de Bentinho.
  • Escobar: Melhor amigo de Bentinho no seminário tem olhos azuis e é apaixonado por cálculos. É acusado por Bentinho de ter um caso com Capitu, onde é a grande dúvida do livro, se casa com Sancha e morre afogado.
  • Ezequiel: Filho de Capitu, e um dos frutos da desconfiança de Bentinho em relação ao adultério de sua mulher, por se parecer com Escobar, acabam morrendo em Jerusalém devido a uma febre.

Temas da Obra

O tema principal é o ciúme de Bentinho em relação à Capitu, seu primeiro vestígio de ciúme é quando pergunta de José Dias no seminário ‘’como vai Capitu?’’,  o agregado responde que ela vai bem e alegre e que ‘‘não se aquieta até que case com algum peralta do bairro”. Outro tema é o fracasso conjugal de Bentinho e Capitu que se deve a desconfiança do adultério da esposa  com seu amigo Escobar. Outro tema também presente é o Rio de Janeiro do Segundo Império na casa de um jovem da elite, onde é mimado pela mãe e tios. Outros temas são a política, a ideologia e a religião do Segundo Império.
Obs.: A citação de imperadores como Nero, César e Augusto, que mataram suas mulheres por adultério, e Otelo da peça de Shakespeare, que ocorre no livro também revela o ciúme e a suspeita de uma traição como sua principal temática.

Contexto Histórico da Obra

O contexto histórico é o realismo, época em que os autores se preocupavam exclusivamente em mostrar a verdade. Ocorre durante o Segundo Reino, onde impera o conhecido ‘’parlamentarismo às avessas’’. O Brasil da época é marcado por ideias liberais, republicanas e ‘’modernas’’. No entanto tem uma estrutura política econômica oligárquica, agrária, latifundiária e coronelista. No livro é possível perceber esse período quando Bentinho pensa em pedir ajuda ao Imperador que estava no Brasil. Esse Imperador, no caso, seria D. Pedro II.

Verossimilhança da Obra

A verossimilhança é a época da escravidão, o domínio da igreja sobre a sociedade (citação ‘’Ser padre é santo e bom’’), o casamento como formal de ascensão social (quando Capitu se casa com Bentinho, pois ele era rico e ela pobre) e a possibilidade de um adultério cometido por uma mulher, o que mostra o casamento em declínio social na época.

Foco Narrativo

É um romance narrado em primeira pessoa por Bento Santiago, que resolve contar sua vida e, dessa forma, o livro é uma pseudo-biografia de um homem velho que, para preencher sua solidão, tem recordações de seu passado, que não desaparecem devido ao seu sofrimento pessoal. O narrador é onisciente e conta a historia a partir de seu ponto de vista.

Tempo da Obra

O tempo é psicológico e cronológico.
Psicológico: faz um flashback onde passa a construir sua história através de sua memória. Quando Bento  já é um velho casmurro e  conta sua história a partir de seu ponto de vista.
Cronológico: começa em 1857, quando José Dias fala para D. Glória apressar a ida de Bentinho para o seminário.
1858: Bentinho entra no seminário
1865: Bentinho se casa com Capitu
1872: Há a separação do casamento de Capitu e Bentinho

Espaço da Narrativa


A história se passa no Rio de Janeiro e ocorre em bairros com Engenho Novo (onde Casmurro escreve sua história), Matacavalos (onde Bentinho e Capitu vivem e se conhecem), na Europa (onde Capitu morre), em São Paulo (Bentinho vai estudar direito) e no Oriente Médio (ocorre a morte de Ezequiel por uma febre).
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18/10/2015

Aprendendo sobre : Realismo Brasileiro

Realismo Brasileiro

  • Realismo 
Primeiramente, antes de aprofundarmos sobre o realismo no Brasil, abordaremos sobre o movimento realista que surgiu na segunda metade do século XIX e prolongando-se até o início do século XX. 
As principais características do realismo são: anti-romântico, ou seja, nada daquele sentimentalismo exagerado; a observação da realidade; impessoalidade; objetividade; verossimilhança; descritivismo; racionalidade; universalismo e retrato fiel dos personagens.   
  • Contexto Histórico:
Segunda Revolução Industrial;
Fortalecimento e expansão do capitalismo;
Abolição da Escravatura;
Proclamação da República no Brasil.
  • Valores: Pretendia transformar a realidade.
Crítica as Instituições: igreja e casamento;
Engajamento Político;
Novas Ideologias;
Retrato Fiel da Sociedade;
Teorias Cientificas.
  • Representantes do Realismo/Naturalismo em Portugal:
Antero de Quental
Eça de Queirós
Gomes Leal
Guerra Junqueiro
Cesário Verde
  • Representantes do Realismo/Naturalismo no Brasil:
Machado de Assis
Aluísio Azevedo
Raul Pompéia
Inglês de Sousa
Manuel de Oliveira Paiva

Fonte: Arte Literária



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Poema: A flor do embiroçu


Noite, melhor que o dia, quem não te ama?
Fil. Elis.

Quando a noturna sombra envolve a terra
E à paz convida o lavrador cansado,
À fresca brisa o seio delicado
A branca flor do embiroçu descerra.


E das límpidas lágrimas que chora
A noite amiga, ela recolhe alguma;
A vida bebe na ligeira bruma,
Até que rompe no horizonte a aurora.


Então, à luz nascente, a flor modesta,
Quando tudo o que vive alma recobra,
Languidamente as suas folhas dobra,
E busca o sono quando tudo é festa,


Suave imagem da alma que suspira
E odeia a turba vã! da alma que sente
Agitar-se-lhe a asa impaciente
E a novos mundos transportar-se aspira!


Também ela ama as horas silenciosas,
E quando a vida as lutas interrompe,
Ela da carne os duros elos rompe,
E entrega o seio às ilusões viçosas.


É tudo seu, — tempo, fortuna, espaço,
E o céu azul e os seus milhões de estrelas;
Abrasada de amor, palpita ao vê-las,
E a todas cinge no ideial abraço.


O rosto não encara indiferente,
Nem a traidora mão cândida aperta;
Das mentiras da vida se liberta
E entra no mundo que jamais não mente.


Noite, melhor que o dia, quem não te ama?
Labor ingrato, agitação, fadiga,
Tudo faz esquecer tua asa amiga
Que a alma nos leva onde a ventura a chama.


Ama-te a flor que desabrocha à hora
Em que o último olhar o sol lhe estende,
Vive, embala-se, orvalha-se, rescende,
E as folhas cerra quando rompe a aurora.

Por: Machado de Assis

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Poema: Carolina


Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.


Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs o mundo inteiro.


Trago-te flores - restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.


Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.

Por: Machado de Assis

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Downloads de Machado!



Indicamos aqui sites onde você, caro leitor, poderá baixar obras românticas e machadianas. Acesse: 



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Indicamos: Memórias Póstumas de Brás Cubas


Memórias Póstumas de Brás Cuba 

Ao criar um narrador que resolve contar sua vida depois de morto, Machado de Assis muda radicalmente o panorama da literatura brasileira, além de expor de forma irônica os privilégios da elite da época.

  • Sobre o que se trata o conto?

É após a morte que Brás Cubas decide narrar suas memórias. Nesta condição, nada pode suavizar seu ponto de vista irônico e mordaz sobre uma sociedade em que as instituições se baseiam na hipocrisia. O casamento, o adultério, os comportamentos individuais e sociais não escapam à sua visão aguda e implacável, nesta obra fundamental de Machado de Assis.

Memórias Póstumas de Brás Cuba - 2000


A trama do filme começa com o enterro de Brás Cubas, um malandro e bon-vivant do Rio do século 19. Seu "fantasma", então, resolve fazer uma retrospectiva dos episódios que marcaram sua vida: o nascimento, a infância, os romances, as desilusões, a morte. Apesar de seguir ordem cronológica, desde o nascimento até sua morte, Brás inicia seu relato com seus últimos momentos, para só depois contar sua biografia.


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Indicamos: O alienista



O Alienista


Para uns especialistas, esta importante obra considerada um dos marcos do Realismo no Brasil, é uma novela. Pra outros, um conto mais longo. Publicado em 1882, “O Alienista” carrega uma história emblemática que gira em torno das faculdades mentais do homem. 

  • Sobre o que se trata o conto?

A narrativa começa com a volta do Dr. Simão Bacamarte à sua terra natal, Itaguaí. Ele tem por objetivo dedicar-se inteiramente à ciência, passando a estudar a loucura humana. Torna-se obcecado pelo tema e funda seu próprio manicômio, a Casa Verde.


O Alienista E As Aventuras De Um Barnabé - 1993


Cem anos após sua morte, Machado de Assis continua atual, moderno e surpreendente. Considerado por muitos o maior escritor brasileiro de todos os tempos, o bruxo do Cosme Velho teve sua obra revisitada em DVD com o humor e a inteligência típicos de sua literatura.

São três programas inspirados em três diferentes obras de Machado. Cada um pertence a um momento da televisão brasileira. Com direção geral de Guel Arraes, o clássico O Alienista exibido em 93 parece ter sido feito sob encomenda para a sociedade de hoje, cada vez mais vigiada e delirante. Já As Aventuras de um Barnabé, dirigido por Roberto Farias, conta a história de um funcionário público que perde as regalias de Brasília e acaba parando numa cidade de interior. 
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Machado de Assis





 Biografia de Machado de Assis



Machado de Assis (1839-1908) foi um escritor brasileiro. "Helena", "A Mão e a Luva", "Iaiá Garcia" e "Ressurreição", são romances escritos na fase romântica do escritor. Um dos nomes mais importantes da nossa literatura. Primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. Foi um autor completo. Escreveu romances, contos, poesias, peças de teatro, inúmeras críticas, crônicas e correspondências.
Machado de Assis (1839-1908) nasceu em uma chácara no morro do Livramento no Rio de Janeiro, no dia 21 de junho de 1839. Filho de José Francisco Machado de Assis, um mulato, pintor de paredes. Sua mãe Leopoldina Machado de Assis era lavadeira, de origem portuguesa da Ilha dos Açores. Perdeu a mãe ainda pequeno e o pai casa-se pela segunda vez. Para ajudar nas despesas da casa trabalhou vendendo doces. Frequentou por pouco tempo uma escola pública.
Logo cedo mostrou seus pendores intelectuais, aprendeu francês com uma amiga. Em 1851 morreu seu pai. Em 1855 frequentava a tipografia e livraria de Francisco de Paula Brito, onde se publicava a revista Marmota Fluminense, em cujo número de 21 de janeiro sai seu poema "Ela". Em 1856 entrou na Tipografia Nacional, como aprendiz de tipógrafo, onde conheceu o escritor Manuel Antônio de Almeida, de quem se tornou amigo. Aí permaneceu até 1858.
Machado de Assis retornou, em 1858, para a livraria de Francisco de Paula Brito, onde se tornou revisor. Sem abandonar a atividade literária, passou a frequentar o mundo boêmio dos intelectuais do Rio de Janeiro. Logo veio a colaborar para vários jornais e revista, entre eles Revista Ilustrada, Gazeta de Notícias, e o Jornal do Comércio. Em 1864 publicou seu primeiro livro de poesias, "Crisálidas".
Em 1867 iniciou sua carreira de funcionário público. Por indicação do jornalista e político Quintino Bocaiuva, tornou-se redator do Diário Oficial, onde logo foi promovido a assistente de diretor. Em 1869 casa-se com Carolina Augusta Xavier de Novais, que o estimulou na carreira literária. Em 1872 publicou seu primeiro romance "Ressurreição".
Machado de Assis teve uma carreira meteórica, como funcionário público. Em 1873 foi nomeado primeiro oficial da Secretaria (Ministério) da Agricultura, diretor da Diretoria Geral do Comércio e diretor da Viação, recebendo a honraria de oficial da Ordem da Rosa, por decreto do Imperador.
Machado de Assis foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, em 1896. É aclamado presidente e por unanimidade, logo na primeira reunião, é eleito presidente. Ocupou a cadeira de número 23. Em sua homenagem, a Academia é chamada de "Casa de Machado de Assis".
Em outubro de 1904 morreu sua esposa, que além de revisora de suas obras era também sua enfermeira, pois Machado de Assis tinha a saúde abalada pela epilepsia. Após sua morte o romancista raramente saía de casa. Em sua homenagem dedicou o poema "A Carolina".
Joaquim Maria Machado de Assis morreu no Rio de Janeiro, no dia 29 de setembro de 1908. Foi enterrado no cemitério de São João Batista, na mesma cidade onde nasceu e viveu toda sua vida. Representando a Academia Brasileira de Letras, o jurista Rui Barbosa fez um discurso em homenagem ao escritor.


Poemas


  • Crisálidas(1864) 
  • Falenas(1870)
  • Americanas(1875)
  • Gazeta de Holanda(1886-88)
  • Ocidentais(1901)
  • O Almada(1908)
  • Dispersas(1854-1939)

Romance


         
RESSURREIÇÃO  (1872)
A MÃO E A LUVA
(1874)


             
          HELENA (1876)
                         IAIÁ GARCIA (1878)


Obras Realistas


  • Memórias Póstumas de Brás Cubas - 1881
  • Casa Velha - 1885
  • Quincas Borba - 1891
  • Dom Casmurro - 1899
  • Esaú e Jacó - 1904
  • Memorial de Aires - 1908


            

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Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis ( 1881 )


Enredo

O livro é escrito por um defunto-autor que é irônico, compara seu livro com o Pentateuco, diz que apenas onze pessoas foram ao seu velório por não ter sido divulgado. Em seguida, conta sobre a brilhante ideia que teve e esta acabaria com o problema da melancolia da sociedade: o emplasto e também fala de um delírio, um pesadelo que teve com a Natureza ou Pandora.
Nasceu no ano de 1805, seu batizado foi na igreja de São Domingos, fala que possui um amigo chamado Quincas Borba que conheceu na escola e de um moleque que ele maltratava, era seu escravo Prudêncio.
Aos dezessete anos apaixona-se por uma prostituta de luxo chamada Marcela, por quem gasta todo o dinheiro da família comprando joias para agradá-la, tanto que diz que o amor valeu quinze meses e onze contos de réis, seu pai lhe manda estudar política em Coimbra pelo fato de estar gastando sem limites.
Ele volta de Coimbra e vê a sua mãe morrer de um câncer no estômago. Então se isola e seu pai insiste com que ele se case e participe da sua vida política. Ele planeja casar com Virgília, já que seu pai tem influências políticas. Então conhece Eugênia, uma moça coxa com quem tem um caso pequeno.
Brás Cubas perde a mão de Virgília para um político chamado Lobo Neves, eis que este se casa com Virgília. Ele começa a ter um caso com ela numa casa alugada em Gamboa. Mas passado um tempo, o esposo recebe uma carta anônima contando sobre o caso deles, eis que os dois amantes terminam friamente.
A irmã de Brás Cubas se chama Sabrina e reaparece depois de muito tempo e fala que ele deve casar-se. Então apresenta a Nha-lolo, mas eles não se casam porque a moça morre aos dezenove anos.
Ele encontra Marcela  numa loja onde vende joias que herdou de um marido rico que havia morrido. Ela estava velha e ele percebe que ainda continuava interesseira.
Encontra Eugênia em um cortiço e não acredita no fim triste e pobre que a moça teve e ele vê Marcela morrer.
Reencontra seu amigo Quincas Borba, que é um filósofo do Humanitismo. Quincas fica louco e resolve queimar  todos os escritos que tinha feito a respeito da sua filosofia .
O último capítulo trata apenas de Negativas. Brás Cubas fala que não foi político, não se casou, não conseguiu fazer o emplasto, não conseguiu nada. Enfim, ele diz que pelo menos uma coisa boa ele fez, que foi não ter passado a miséria da sua espécie.

Personagens

Brás Cubas: o defunto-autor que é o narrador-protagonista, um homem petulante, egocêntrico, irônico que usa de tamanho ego para esconder o fracasso de sua vida.
Marcela: o primeiro amor jovem de Brás com dezessete anos. Uma prostituta de luxo, uma mulher bonita, vaidosa e muito interesseira.
Virgília: mulher com quem Brás ia se casar, mas acaba perdendo para o Lobo Neves, mas depois de um tempo ele vira amante desta. Ela é mulher fria, pensa só em si mesmo e esconde o adultério que comete com ele na casinha alugada de Gamboa.
Lobo Neves: um político que só pensa no poder. Ele é esposo de Virgília que “aceita” o adultério da esposa.
D. Plácida: mulher que serve de cúmplice para o caso dos dois amantes. Sempre é muito solitária e triste.
Eugênia: moça que é coxa, bonita e triste, ela tem um pequeno caso com Brás, mas ele a abandona.
Quincas Borba: amigo de Brás Cubas desde a infância, é um filósofo humanitista.
Prudêncio: escravo de Brás Cubas quando ele era pequeno, Brás o maltratava, lhe batia e o fazia de cavalinho.
Nha-lolo: presente de Cotrim, ela ia casar com Brás, mas isso não acontece porque a moça morre aos dezenove anos.
Demasceno: pai de Nha-lolo.
Sabrina: irmã de Brás Cubas.
Cotrim: esposo de Sabrina, cunhado de Brás, é um amigo na política.

Temas

Ironia : é um dos temas principais pois Machado de Assis é muito irônico ao fazer um personagem em que este faz a comparação com a obra Pentateuco. O autor critica a sociedade burguesa, falando de seus valores interesseiros.
Humanitismo.
O adultério cometido no livro, a sociedade de classe alta tinha apenas status e escondia as verdades.
A escravidão é tratada de uma forma em que ao longo do livro Brás encontra seu escravo  Prudêncio e o vê batendo em outro escravo, ele pede para parar, o ex- escravo o ouve, mas isso acontecia porque o escravo tinha tido aquilo na sua vida e só estava reproduzindo o que havia passado.

Contexto Histórico

O romance acontece na segunda metade do século XIX, no governo de D.Pedro II.
Na sua infância acontece a Queda de Napoleão Bonaparte.
A sua juventude coincide com a Independência do Brasil em 1822.

Verossimilhança

A verossimilhança que existe no livro Memórias Póstuma de Brás Cubas é com a escravidão, porque era um momento que o Brasil estava passando, onde era comum as famílias burguesas terem escravos em casa, o que mesmo acontecia com Brás que ele tinha o escravo Prudêncio.

Foco Narrativo

O autor é um narrador de primeira pessoa, um narrador-personagem que se encontra na forma onipresente. Ele mostra a sociedade carioca no século XIX.

Tempo

Neste livro há dois tempos: o psicológico em que o autor além-túmulo faz digressões e o tempo cronológico que é contado a partir do décimo capítulo, seguindo uma forma linear( nascimento, viagem, volta de Coimbra, morte).

Espaço da narrativa

O espaço da narrativa se passa na maior parte no Rio de Janeiro no século XIX e também tem uma parte na Europa, na faculdade de Coimbra.
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14/10/2015

Obra: O Ateneu - Raul Pompeia

O Ateneu 



  • Enredo:

Após a entrada de Sérgio no Ateneu, o local é apresentado de forma minuciosa e estilizada. Há abundância descritiva de detalhes. O narrador se atém a cada episódio, buscando na memória o fio condutor da narrativa. Tudo isso amparado por metáforas e comparações, o que garante uma prosa formalmente hiperbólica, com tom de grandeza, como se o estilo elevasse aquele mundo por meio da linguagem. Assim, a cada episódio são descritos os colegas, os desafetos, os baderneiros, os protetores, os professores, Ema e, principalmente, Aristarco.

As relações entre esses personagens, no relato de Sérgio, formam o Ateneu. Esse, por sua vez, como em O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, funciona na estrutura do livro como personagem. Essa é mais uma das singularidades do romance em relação ao que prescrevia a estética naturalista, para a qual o meio se sobrepunha sempre ao indivíduo, determinando-o, como no caso do citado romance de Aluísio de Azevedo. Em O Ateneu, isso quase sempre ocorre, mas, na caracterização formal que envolve Aristarco e o Ateneu num mesmo grupo de características, o meio e o indivíduo se identificam. Isso torna as forças de determinação do meio quase nulas, colocando em ação a determinação estrutural edificada pelo poder – como acontece na hierarquia institucional, nas relações de trabalho e nas relações sociais.

Aristarco é construído no mesmo processo. Ambos – a escola e seu diretor – são abordados de maneira grandiloqüente, nas comparações com vultos da Antiguidade clássica, deuses e monumentos sacros. No entanto, essa construção mascara um lado torpe. Por baixo da carapaça de uma instituição educacional de renome, há o pior dos mundos, retratado em relações homossexuais degradadas, nas quais os mais fortes subjugam os menores.
Aristarco é visto, inicialmente, como um pedagogo-modelo. Essa imagem, no entanto, como a do próprio internato, não passa de fachada. O diretor é conivente com o ambiente mórbido das relações entre alunos e professores. Tome-se, por exemplo, o caso de Franco, um dos internos, personagem que encarna o aspecto mais doentio do colégio. Abandonado pela família, serve como bode expiatório para Aristarco.
Aristarco e o Ateneu se determinam um em função do outro, tanto no processo de sua construção como na desconstrução, quando tragicamente um interno ateia fogo ao colégio. Ema, esposa de Aristarco, aproveita o momento para fugir e abandonar o marido.


  • Personagens principais e secundárias do livro:

Sérgio: personagem principal. Entra aos 11 anos no internato Ateneu e ali tem várias experiências que são narradas no livro. 


Aristarco: diretor do colégio e pedagogo reconhecido por suas obras. Ao mesmo tempo em que é rígido, possui uma alma paternal. 

D. Ema: esposa de Aristarco. Sérgio nutre um amor platônico por ela. 

Professor Mânlio: Primeiro professor de Sérgio. 

Rebelo: primeiro amigo de Sérgio. É bondoso e um ótimo aluno. Ajudou Sérgio nas lições. 

Sanches: à primeira vista, é considerado antipático por Sérgio, salva ele de um afogamento e os dois tornam-se amigos. 


Barbalho: aluno indisciplinado com quem Sérgio tem uma briga. 


Ribas: menino feio, que cantava músicas religiosas singelamente. 


Ângela: funcionária espanhola do colégio. Moça bonita desejada por todos. 


Egbert: considerado o único amigo verdadeiro de Sérgio, que o admirava pela sua beleza. 


Bento Alves: bibliotecário com quem Sérgio teve uma íntima amizade. Sai do colégio por uma briga que teve com o Sérgio. 

Américo: aluno que entra no colégio obrigado pelo pai e que provavelmente é o responsável pelo início do incêndio.


  • Temas da obra:
De acordo com os preceitos do romance naturalista, ao qual se pode associar o livro, depreende-se em O Ateneu uma crítica feroz às instituições de ensino das elites do século XIX. O colégio é visto como microcosmo da sociedade. Para isso, o narrador utiliza descrições de toda ordem, físicas ou psicológicas, levadas a cabo com rigor e riqueza de detalhes quase científicos.



“Aqui suspendo a crônica das saudades. Saudades verdadeiramente? Pura recordações, saudades talvez se ponderarmos que o tempo é a ocasião passageira dos fatos, mas sobretudo – o funeral para sempre das horas.” 



  • Contexto histórico:

O século XIX foi marcado pela falsa estruturação do sistema educacional brasileiro, principalmente dos colégios internos frequentados pelos filhos da elite. Internatos onde a educação era impregnada de modelos severos e regimes autoritários, onde a educação moral rígida era vista como objetivo final da escola.
  • Verossimilhança:

Em vários trechos da obra há uma crítica em relação às escolas, o que não é muito diferente do que ocorre nas escolas de hoje. está presente em vários trechos da obra. O crescimento físico acompanha o acúmulo de experiências empíricas e outras que proporcionam um crescimento moral em todo indivíduo. E soma-se a isso a atribuição de responsabilidades,direitos e deveres que aumentam a auto-estima do sujeito pelas funções que assume perante a sociedade e pela confiança que a sociedade deposita nele. "Mas um movimento animou-me, primeiro estímulo sério da vaidade: distanciava-me da comunhão da família! Ia por minha conta empenhar a luta dos merecimentos: e a confiança nas próprias forças sobrava. Quando me disseram que estava a escolha feita para casa da educação que me devia receber, a notícia veio achar-me em armas para a conquista audaciosa do desconhecido.
  • Foco Narrativo:

É uma narrativa de confissão, narrada em 1ª pessoa por Sérgio (personagem-narrador). A obra é memorialista, seu narrador, Sérgio, apresenta suas memórias de infância e adolescência num colégio interno chamado Ateneu. Assim, o foco narrativo em primeira pessoa impede a tão valorizada objetividade e imparcialidade do Realismo-Naturalismo.Sérgio é o alter-ego, ou seja, um outro “eu” de Raul Pompéia. Em outras palavras, o narrador recebe a personalidade e também as memórias do autor, já que este também estudou num internato, o Colégio Abílio, do Rio de Janeiro.

  • Tempo:
O tempo cronológico não supera dois anos, que vão desde a entrada de Sérgio no colégio até o incêndio que o destrói totalmente, por volta da última década do séc. XIX . Predomina, assim, o chamado tempo psicológico por ser um romance de memória em que fatos e pessoas vêm a tona da consciência conforme sua importância no momento da narração. Esta é feita basicamente por meio de flash back, tornando visível o que era invisível, porém, de forma bastante tênue, sem intensidade, marcada apenas pela impressão sensorial. 
  • Espaço da narrativa:
O colégio localizava-se na cidade do Rio de Janeiro. "O Ateneu, quarenta janelas, resplendentes do gás interior, dava-se ares de encantamento com a iluminação de fora..." Figurativamente podemos enquadrá-lo entre dois mundos: a família e a sociedade. 

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