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18/10/2015

Memórias De Um Sargento De Milícias - Manuel Antônio de Almeida ( 1852 )



Enredo:

Era no tempo do rei, quando Leonardo Pataca se enfada de seus negócios e pretende viajar. No navio rumo ao Brasil, conhece Maria das Hortaliças, uma saloia e após um mês de cortejos diferentes em forma de beliscada da parte dela e pisadelas da parte dele, os dois descem juntos a terra e a saloia sente enjôo: Leonardo, o menino, era fruto da pisadela e do beslicão. Quando Leonardo tinha sete anos, o pai briga com a mãe, acusando-a de adultério, enquanto isso, o menino se entrete rasgando uns autos do pai. Acaba recebendo um chute no meio dos glúteos. Procura o padrinho barbeiro e relata o que acontece em casa. O mesmo vai lá para tentar resolver a situação, mas no final das contas, Maria das Hortaliças acaba fugindo num navio com um marinheiro. O pai não quer saber do menino, o qual fica sob tutela do padrinho, que o aceita com todo gracejo.
Quando Leonardinho tinha nove anos, o compadre decidiu ter uma conversa com ele, a fim de encaminhá-lo aos rumos do clero. Tentou de todas as formas, desde o ensino do abecedário, à petição do Sacristão que permitisse o menino ser coroinha, mas nada mostrou resultados. Em qualquer atividade que o garoto se metia, ele era levado: Ao estar com o compadre aprendendo o abecedário teimava em engatar, na escola levava o bolo na mão, dado pelo mestre todos os dias e na igreja realizava muitas travessuras, sendo o ápice o desmascaramento do Sacristão, criando uma situação para que este fosse pego de ceroulas e meias na casa da cigana, sua amante.
No período da adolescência não se mostrou diferente, sumia por noites e dentre outras travessuras. Foi nessa fase que conheceu Luisinha, seu primeiro amor. A menina era sobrinha de D. Maria, amiga do compadre.
O compadre, desenganado, desistiu de seus planos e deixou o menino à sorte, viver a vida malandra que escolhera. O compadre morre.
Leonardinho vai morar com seu pai, o qual depois de iludir-se com a cigana, emendou-se com Chiquinha, sobrinha da comadre. O rapaz não se dá bem com a madrasta e é expulso de casa. Vai morar na casa de um amigo da Sé, Tomás, junto com uma família cigana.
Apaixona-se por Vidinha, integrante da família, a qual já tinha seus primos como pretendentes. Eles armam para tirar Leonardo da jogada e numa das festas, o Major Vidigal o prende. Foge no caminho para a cadeia. A comadre lhe arranja um ofício na Ucharia, mas ele apronta com o toma-largura, cortejando a mulher dele. É demitido. Vidinha vai à Ucharia acertar as contas com a mulher do toma-largura. Leonardo vai atrás às tentativa de remediar e é pego pelo Vidigal. É ordenado granadeiro, como punição.
Neste período, Luisinha se casa com José Manoel, um trambiqueiro que a trata mal depois do casamento. Leonardo ainda apronta como granadeiro e é preso. A comadre e D. Maria, já com planos de juntar Luisinha e Leonardo, recorrem à Maria-Regalada (antigo amor do major) e essa consegue que solte Leonardo e ainda que este ganhe uma promoção para sargento.
José Manoel morre e Leonardo baixa o posto para sargento de milícias só para casar com Luisinha. Final feliz do anti-heroi.

Personagens Principais:

Leonardo-Pataca: gordo, rosto avermelhado e cabelos brancos, meirinho (oficial de justiça) e pai do Leonardinho.
Maria das Hortaliças: Mãe de Leonardinho, saloia, quitandeira e bonita. Abandona o filho ao fugir de volta para Lisboa com um marinheiro.
Compadre: Cinquenta anos, nunca dantes teve afeição por ninguém, partidário do celibato, quer muito bem ao afilhado e deixa para ele um dote que conseguiu enganando um marinheiro.
Comadre: gorda, baixa, bonachona, parteira, devota, vestia-se com uma saia por cima de um vestido qualquer, rosário no bolso, lenço no pescoço e tudo isso coberto por uma mantilha. Toma conta e cria mais afeições por Leonardinho após a morte do compadre.
D. Maria: gorda, velha, rica e tinha a mania das demandas, amiga do compadre.
Luisinha: sobrinha de D. Maria, primeiro amor de Leonardo, herdeira de um dote deixado pelo pai. No início magra, pálida, acanhada, depois toma feições.
José Manoel: alto, magro, narigudo e tinha a mania da maledicência. Interessa-se por Luisinha a fim de aplicar um golpe e ficar com a herança.
Major Vidigal: manso, paciente e objetivo no que fazia. Chefe de Polícia tinha um amor antigo: Maria Regalada, uma mulher alegre.
Vidinha: mulata, bonita, namoradeira e toca viola. Uma paixão de Leonardo quando este passou um tempo fora da casa do pai.
Leonardo: travesso desde criança, picaresco, vadio, malandro e protagonista.
Outros como os ciganos ociosos e festeiros, Juca-malvado, Teotônio (animador de festas) e o Sacristão da Sé infiel ao celibato clerical e o mestre-de-reza cego merecem destaque por denunciar característica da sociedade da época.

Temas da Obra:

O livro apesar de fazer parte do Romantismo, não apresenta muitas características do movimento. Não há fuga, idealização do amor e nem engrandecimento da natureza. Há, sobretudo, um olhar de mais perto para a sociedade pobre daquela época. Os personagens são planos, não mudam de personalidade ao longo da história e nem são, em sua maioria, nomeados, mas interpretados como sub-classificados. Não faz uma crítica direta aos personagens, mas mostra que todos têm falhas.

O sacristão da Sé: infiel ao celibato clerical

Feiticeiros eram comumente procurados, Leonardo-Pataca mesmo chega a recorrer a um deles.

Major Vidigal: envolve seus sentimentos no trabalho ao promover Leonardinho a sargento pelo pedido de sua amada.

Há também pela primeira vez a figura do anti-heroi brasileiro, picaresco, vadio, malandro, mas que não usa a força e dá sempre um jeitinho de se safar: Leonardo nunca bateu em ninguém. Sempre continuava com peripécias. É uma obra que foge, no entanto apresenta final romântico, não comumente trágico, mas feliz.

Contexto histórico

“Tempo do Rei” corresponde ao século XIX, com a vinda da família real para o Brasil na época de D. João VI. Cidade equipada conforme as necessidades da corte. Museu, teatro, escolas e etc.

Verossimilhança

Personagens como meirinhos, Major Vidigal, realmente existiram. Como é um retrato do subúrbio do Rio de Janeiro na época do reinado de D. João VI expressa fielmente essa classe. Os imigrantes portugueses como ciganos os quais viviam em festas e algazarras, além de serem ociosos. A falta de valores da corte como o casamento sendo compromisso político ou oficial. Nessa classe, naquela época, se juntavam quem se atraía. Festas religiosas das quais as de hoje não chegam nem aos pés

Ex: Leonardo-Pataca e Maria das Hortaliças, Major Vidigal e Maria Regalada.

Foco Narrativo

Terceira pessoa, narrador onisciente. Esse distanciamento de observador abre espaço para crítica aos personagens e aproxima a linguagem popular coloquial.

Tempo

Histórico, mas predominantemente cronológico, pois apesar da quebra de coesão por ser novela de folhetim, há um desenvolvimento e desenrolar da história.

Espaço da Narrativa

Subúrbio do Rio de Janeiro no século XIX. Classe pobre, não é um ambiente da corte.
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O seminarista - Bernado de Guimarães ( 1872 )



Resumo narrativo em tópicos:

  • Eugênio morava com seu pai, Capitão Francisco Antunes, e sua mãe, Sra. Antunes, e tinha sua melhor amiga, Margarida que morava com a tia Umbelinda. Eugênio fala para Margarida que va9i estudar para ser padre e ficam tristes.
  • A história da chegada de Dona Umbelinda às terras de Antunes que a acolheu junto com sua filha.
  • Eugênio voltado a seu estudo de dois anos, fica com Margarida em sua casa dia-a-dia, mas sua mãe o proíbe, mas ele inventa a desculpa de que a ensina a ler para continuar a vê-la.
  • Eugênio no seminário fica muito triste e começa a imaginar Margarita, pensa em sua face e em sua voz.
  • Tinha que aprender latim e tinha como tarefa fazer a tradução de alguns livros como Ovídio e as Eglagas de Virgílio. Começa então, inspirado, a escrever seus próprios versos íntimos. Mas encontram tais versos...
  • O Padre Mestre encontra os versos e o adverte de que deveria esquecer Margarita, dona de seus versos mais belos. Ele é castigado então com jejuns, penitências e orações. Sendo inclusive obrigada a queimar os próprios versos.
  • Eugênio começa o doloroso processo de esquecer Margarita, não dormindo e fazendo constantes orações. O garoto já passava a ter aparência de múmia ou zumbi.
  • Passados quatro anos, o Capitão Antunes e a Sra. Antunes pedem para que ele passe as férias no seu lar.
  • Ao voltar, Eugênio recebe a visita de Margarita e fico muito surpreso com a beleza da moça em que havia se tornado, mas não a olha com intenções, ao menos tenta não o fazer.
  • Margarita dá a Eugênio uma Rosa, ela fica com o Cravo. Não podendo falar, no dia seguinte, vai ao entro dela e vê em um lugar por obra de Margarita as iniciais: E e M. Ela fala então que não gostaria que ele fosse padre, Eugênio decide então não terminar sua ordenação.
  • Passa muito tempo na casa de Margarita e então a Sra. Antunes o proíbe de ir à casa dela novamente. Eugênio então passa a inventar mentiras sobre seus passeios para ir ao encontro de Margarita.
  • Luciano com ciúmes começa então a implicar com Eugênio pelo fato de ele estar estudando para ser padre, mas é expulso por Dona Umbelinda e um amigo de Capitão Antunes.
  • No dia seguinte, Capitão Antunes pega Eugênio que dormiu na casa de um amigo. Mas alucinado tinha contado para seu pai sobre a confusão, e então revela que não quer ser padre. Seu pai o manda então de volta para o seminário pois sabia que isso era influência de Margarita. Seu pai pede para que o Padre Mestre resolva o problema com o rapaz e, na mesma noite, Eugênio vai ao encontro de Margarita e promete que voltaria.
  • No seminário, como antes, ele é exposto a castigos para que esqueça de Margarita. Foi inútil.
  • Eugênio começa a acreditar que Margarita é um anjo e que ele tem de ficar pertos dela. O Padre manda uma carta para o pai de Eugênio aconselhando-a a casar Margarita para que Eugênio esquecesse dela.
  • O Padre dá a notícia ao rapaz de que Margarita havia se casado. Ele se sente traído e decide terminar os estudos.
  • Após alguns anos, Umbelinda e Margarita moram na casa de uma parente. E Umbelinda, que acreditava no amor dos dois, acaba falecendo de velhice.
  • Margarita após algum tempo começa a pressentir a própria morte e decide chamar um padre para se confessar.
  • Eugênio havia acabado de chegar na cidade, era bem recebido e visto com orgulho por todos. É claro que ainda lembrava de Margarita. Por ironia do destino um garoto vai até sua casa pedindo que vá ver uma moça que gostaria de se confessar, pois o vigário havia viajado.
  • Ao chegar na casa fica assustado ao ver Margarita, que fica feliz em vê-lo e pede para que ele volte no dia seguinte.
  • Eugênio, é claro, vai ao seu encontro no dia seguinte e diz em uma de suas falas: “Um dia a suprema felicidade! ... o outro um inferno! ... Que importa!”
  • Após isso vai celebrar a missa no outro dia, era um velório, faz sua oração e quando vai de encontro ao corpo verifica que era Margarita.
  • Eugênio enlouquece.


Personagens principais e secundárias do livro:

  • Eugênio: Protagonista. De olhar meigo e plácido, tem cabelos castanhos, e mostra uma identidade pacata.
  • Margarita: Morena, filha de Dona Umbelinda, tem olhos grandes e meigos, cheiro de vivacidade, tem um corpo esbelto e flexível. Moça de sangue quente.
  • Capitão Francisco Antunes: Pai de Eugênio, fazendeiro dono de terras. Trabalho, bom e pai muito protetor, também é um grande partidista e importante na sociedade. Um homem capaz de mentir para seu próprio filho para manter seus status.
  • Sra. Antunes: Mãe de Eugênia, é uma mulher boa e carinhosa, mas tem espírito que acolhe superstições e agouros.
  • D. Umbelinda: Mãe de Margarita. É uma mulher gorda e abatida pela idade que já foi casada.
  • Padre-Mestre: Responsável pelo seminário e formação de Eugênio. Junta-se com o Capitão Antunes para fazer de Eugênio um padre genuínio.
  • Luciana: Era bonita, tinha 25 anos. Era agradável a sua presença enquanto não insuportável.  Era rico, proprietário de terras e bem nascido.

Temas da obra

O livro tem como tema principal a crítica ao celibato clerical e ao autoritarismo familiar. Sua crítica está voltada por consequência ao voto de castidade, onde no seminário e em sua vida Eugênio sofre por não poder estar com Margarita e sua luta contra esse sentimento, sua tentativa de esquecê-la.
O autoritarismo familiar está no poder dos pais de Eugênio sobre o mesmo. Onde o pai o proíbe de amar Margarita e o obriga a ser padre, pois seus pais gostavam dessa profissão.  E Eugênio não tinha direito de escolha ao falar para seus pais que não queria ser padre e sim casar-se com Margarita.

Contexto histórico da obra

O contexto histórico desse livro pode ser levantado a partir de uma questão religiosa verídica em que um bispo expulsou um padre pois era Maçom e Bernado de Guimarães fez uma crítica.
Também nessa época havia valorização de bons costumes, dos valores e da religiosidade. Eugênio vem a ser uma crítica  do que essas valorizações causam na vida das pessoas.

Foco narrativo

Terceira pessoa e também primeira.

Tempo

Cronológico.

Espaço da narrativa

Ocorre em Minas Gerais, na fazenda de Capitão Francisco Antunes, também no seminário de Gonçalves do Campo e na casa de Margarita. 

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Obra : A Luneta Mágica - Joaquim Manuel de Macedo ( 1869 )


Enredo

No romance A Luneta Mágica, Macedo nos conta a história de Simplício, um rapaz que padece de um mal terrível: uma dupla miopia.

Miopia física: que o impede de ver ou distinguir qualquer coisa a duas polegadas de distância dos seus olhos.Miopia moral: o impede de entender ou distinguir as ideias alheias ou de ajustar suas próprias ideias. [trata-se de um parvo, ingênuo,...]

Simplício ficou órfão aos 12 anos de idade e, desde então, vive com o mano Américo, que administra sua herança, com a devota tia Domingas e com a prima Anica. Certo dia, apesar de sua miopia, foi convidado para fazer parte de um júri. Lá conhece o Sr. Nunes que lhe fala do Reis, um gravador de vidros, capaz de resolver seu problema de miopia.
Depois de muitas tentativas, de lentes do mais alto grau, Reis reconhece que não pode ajudar Simplício, sua miopia é muito forte. Condoído, no entanto, com a dor do rapaz fala-lhe do Armênio - um artista de habilidades mágicas trazido da Europa pelo próprio Reis para trabalhar em sua oficina.

O desejo de Simplício de ver era tão grande que ele acaba aceitando ir visitar o Armênio. Este promete-lhe uma luneta mágica, mas avisa-lhe também que em pouco tempo o rapaz vai ter a convicção de que é melhor ser cego do que ver demais.

Assim, depois de pensar muito sobre tudo o que o Armênio havia lhe falado e consultar sua família, Simplício vai ao encontro do mágico no horário marcado, a meia-noite. O mago entrega-lhe o objeto mágico, mas não antes de lhe avisar sobre os poderes e perigos da luneta: Simplício não deveria fixá-la mais de 3 minutos sobre qualquer objeto ou ser humano, pois assim passaria a ter a visão do mal [vingança da salamandra presa no vidro] e, além disso, não deveria também fixá-la em nada além de 13 minutos, pois esta seria a visão do futuro e, neste caso, para própria proteção do rapaz, a luneta se quebraria.

Ansioso com a possibilidade de enxergar, Simplício volta para casa e espera o amanhecer para experimentar a luneta. Maravilhado com a visão da aurora, acredita que será impossível ver qualquer coisa má nesta cena e decide, portanto, fixar sua luneta por mais de 3 minutos. De repente, fica horrorizado com o que vê. Concorda com o Armênio e diz que basta a visão da superfície e das aparências, a felicidade do homem está nas ilusões dos sentidos, nos enganos da alma, quer ser feliz e, portanto, não fará mais uso da visão do mal. No entanto, nosso jovem ingênuo, acaba por não resistir à visão do mal e começa a fixar sua luneta sobre tudo e todos.

A visão do mal permite-lhe ver a 'verdade' sobre: prima Anica, moça fria, sem sentimentos, mulher-cálculo, incapaz de amizade, interessada em casar Américo ou com Simplício por causa da fortuna; mano Américo, ambicioso avarento, rouba a família na administração dos bens; tia Domingas, invejosa, fofoqueira, sovina, deseja o casamento da filha com Américo pela fortuna,...

Estas descobertas deixam Simplício horrorizado e decepcionado fazendo-o decidir procurar um advogado para administrar seus bens e uma esposa para formar uma nova família. Procura o Nunes para que este o ajude com seus planos. No entanto, ao fixar sua luneta sobre o velho, descobre um farsante e interesseiro.

De repente, a cidade inteira comenta sua loucura e ele passa a ser perseguido e execrado em todos os locais. A família decide que ele está doente, tranca-o em casa e quer destruir sua luneta. A visita de um médico, no entanto, impede que ele seja declarado louco. Todos concordam que ele foi iludido pela magia e que com amor e carinho conseguirá superar tudo.

Ainda assim, Simplício não entrega a luneta e sabe que, embora não seja considerado louco será visto como um maníaco, portanto não há salvação. Decide, então, que a única coisa que poderá salvá-lo será a visão do futuro. Ele quer saber qual o seu futuro e por isso decide fixar a luneta nele mesmo [no espelho] por mais de 13 minutos. Entretanto, antes de chegar na visão do futuro, chega à visão do mal e se descobre um infame, caluniador, um inimigo da família, um homem capaz de maldizer todas as criações de Deus, um maldito...Antes de chegar na visão do futuro, a luneta quebra-se em suas mãos.

Depois de 8 dias enclausurado em casa, decide que já pode sair, as pessoas não lembrarão de mais nada - 'Não há atividade de opinião que resista à extensão, à eternidade de oito dias na nossa capital’. Durante o passeio, reencontra o Reis que lhe conta sobre as fofocas do Nunes e o convence a, novamente, procurar o Armênio. Assim, fica combinado um novo encontro, a meia-noite, no gabinete do mágico.

Mais uma vez Simplício presencia todo o ritual de construção da nova luneta e ouve os alertas do Armênio sobre o uso correto da lente. Dessa vez, se fixada por mais de três minutos, ela lhe dará a visão do bem.

Ao voltar para casa, esperançoso e feliz com a possibilidade de ver novamente, Simplício decide que escreverá a todos os jornais e falará sobre as maravilhas de que o Armênio é capaz. Ele não entende a descrença do Reis nas potencialidades mágicas. Acredita que o Armênio poderá ajudar muitas outras pessoas e que, portanto, não faz sentido manter tudo isso em segredo.

Depois de se questionar sobre que mal poderia haver na visão do bem, mais uma vez Simplício desobedece ao mágico e fixa sua luneta por mais de três minutos. Começa por enxergar a prima Anica, um anjo de inocência e de candura; tia Domingas, a devoção e a piedade personalizada; o mano Américo, a pura dedicação fraternal.
'-Eu tinha a febre da felicidade. O mundo e a vida me festejavam o coração; eu desejava rir, divertir-me, folgar'.

Maravilhado com a visão do bem, apaixona-se pela prima Anica e por mais trinta e tantas outras moças, inclusive por Esmeralda, uma conhecida prostituta do 'Alcasar Lírico'. Reconhece a bondade e a pureza de coração em todos que dele se aproximam, ajuda a todos, paga jantares, dá esmolas, contribui para fundos de caridades através dos 'amigos', que são cada vez em maior número. Reencontra o Nunes, visita-lhe a família, apaixona-se por sua filha, salda suas dívidas. Enfim, passa a ser explorado e ridicularizado por todos sem perceber. Quando alguns tentam lhe avisar sobre o que está acontecendo, fica confuso, pois descobre a verdade na boca destas almas boas, mas não entende como isso pode ser possível.

Mais uma vez desesperado e angustiado, descobre que a visão do bem é um martírio.

Com a alma atormentada, presencia um funeral e percebe a beleza, a felicidade da morte. Decide, portanto, que o melhor que tem a fazer é morrer. Como não tem armas ou veneno, nem meios para consegui-los, sobe até o alto do Corcovado para se jogar de lá de cima. Antes, porém, pensa uma vez na visão do futuro, dá uma última olhada através da luneta mágica para cidade, a capital do Império do Brasil. Passa-se os treze minutos e a luneta se quebra em suas mãos. Mais uma vez nas trevas, Simplício não hesita e se joga do para peito...Duas mãos possantes, no entanto, suspenderam-lhe pelas orelhas - era o Armênio.

Depois de conversarem sobre tudo o que havia acontecido, o mágico fala-lhe sobre as lições das lunetas: 
'Exagerar é mentir.'

'No mundo há o bem e o mal, como há na vida o prazer e a dor.'

'Mas o bem é o bem, o mal é o mal como são e não podem deixar de ser para humanidade que é imperfeita: perfeito bem, absoluto mal não há para ela.'

'A imperfeição e a contingência da humanidade são as únicas ideias que podem fundamentar um juízo certo sobre todos os homens...Cada qual é o que é e cada qual tem as suas qualidades, e seus defeitos.'

Depois desta conversa, o Armênio decidiu dar-lhe uma última luneta mágica - A Luneta do Bom Senso. Desta vez, no entanto, Reis faz Simplício prometer segredo sobre o assunto.


Personagens

Principais:

Simplício (o míope): protagonista do romance. Como o mesmo diz: míope física e moralmente.
Américo : administra os seus bens e os bens de seu irmão Simplício.
Tia Domingas : tia de Simplício e Américo. É uma fervorosa religiosa.
Prima Anica : filha de Domingas e prima de Simplício e Américo. É uma jovem doce e recatada.
Reis : dono do armazém onde Simplício conseguiu a luneta mágica. É um sujeito que se mostra amigo de Simplício, no entanto, totalmente cético em relação ao poder da luneta mágica e dos poderes do armênio.
Armênio : É um estrangeiro, que fala todas as línguas. Não é apresentado seu nome. Caracterizado por ser um homem misterioso, dotado de poderes mágicos, relacionados com a Cabala. Vive trancafiado num gabinete nos fundos do armazém do Reis.

Secundários:

Nunes: um senhor que apresenta o Simplício ao Reis.
Damião: um sujeito trapaceiro que se aproveita da bondade de Simplício e que vive uma vida de malandragens.
Esmeralda: uma jovem atraente, mas leviana e interesseira, que também se aproveita da boa fé de Simplício
Dona Eduvirges: mulher do senhor Nunes. Uma senhora muito recatada
Ana (D. Ana, Nicota): filha do senhor Nunes, por quem Simplício também se apaixona, por causa do poder da visão do bem.

Temas

Ironia.
Carreirismo político:Vi um grilo. (...) Não julgueis que é insignificante o maléfico; perturba o sono, gasta a paciência, arranha os ouvidos, ofende os nervos e impede o sossego. (...) Felizmente, para mim os grilos são mais frequentes nas assembleias legislativas do que no meu sótão”.
Corrupção nos órgãos públicos: “Vi o cupim”... O cupim não é sanguinário, mas a sua malvadeza não é menos prejudicial à sociedade. (...)O cupim estraga, aniquila mais cabedais do que certos ministros da fazenda e de obras públicas que temos tido no Império do Brasil: Façam ideia de quanto ele estraga para vencer na comparação. (...)

Contexto histórico

A ascensão da burguesia ao poder, e o surgimento do jornal [ o primeiro aparece em 1808, no RJ] vieram modificar o gosto do público pela literatura. A nova mentalidade, menos refinada, menos educada e mais pragmática - voltada para os problemas do dia a dia - requer um gênero literário que possa estar à altura do seu entendimento e do seu gosto. E o romance, que há mais tempo vinha tomando forma, começou a ensaiar seus primeiros passos no Brasil. Dos primeiros folhetins, publicados em jornais, por autores agora completamente esquecidos, passamos às primeiras manifestações mais apropriadas e logo festejadas pelo grande público. Atentos, sempre, ao anseio do novo público, surgiram os primeiros romancistas. E, com eles, o primeiro folhetim entre estes está A Luneta Mágica, de Joaquim Manuel de Macedo. A Luneta Mágica é provavelmente o primeiro romance brasileiro de fantasia, dentro daquilo que, mais tarde, seria chamado de "fantasia contemporânea" (ambientada na época do autor).

Foco narrativo

Narrador em 1ª pessoa, Simplício é quem narra a história.

Tempo

Cronológico.

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Escrava Isaura - Bernado Guimarães ( 1875 )


Enredo da obra:
  
  • A história começa em uma fazenda localizada em Campos, Rio de Janeiro.
  • A fazenda pertencia ao comendador Almeida e sua mulher.
  • O comendador tinha como escrava uma linda mulata cujo nome era Juliana.
  • Juliana era casada com Miguel, um feitor português.
  • Juliana e Miguel tiveram uma linda filha. Ela se chamava: Isaura.
  • O comendador Almeida tinha uma grande paixão por Juliana, mas a mulata não o correspondia.
  • A pequena Isaura cresce. É criada e educada na casa grande diferentemente dos outros escravos.
  • O comendador tinha um filho o qual se chamava Leôncio,este sentia uma grande paixão por Isaura.
  • Leôncio era casado com Malvina.
  • Neste momento, Leôncio e sua esposa estão passando as férias em sua fazendo com Henrique, irmão de Malvina.
  • Henrique também tinha atração por Isaura. Ele mesmo descobriu que sua irmã era traída.
  • Malvina descobre a façanha de seu marido; pede a liberdade de Isaura, mas não é correspondida por Leôncio.
  • Malvina resolve, então, ir embora da fazendo levando consigo seu irmão.
  • Isaura, neste momento, passa a ser muito perseguida e maltratada por Leôncio.
  • Para tentar liberta-la, seu pai chamado Miguel, tenta usar todo seu dinheiro para conseguir a alforria de sua filha.
  • A tentativa é frustrada, o jeito seria fugir da fazenda.
  • A escrava não aguenta as humilhações e foge para Pernambuco, Recife, com seu pai.
  • Chagando em Recife, ambos estão com identidades trocadas.
  • Chamam-se Elvira e Anselmo.
  • Pai e filha vivem isolados em uma xácara, mas há um moço o qual se atraiu pela beleza de Isaura.
  • Elvira e Álvaro, o qual é um jovem rico, apaixonam-se. “ É amor a primeira vista’’.
  • Álvaro convida Elvira e Anselmo para irem a um baile.
  • No baile, é revelada a identidade dos fugitivos. Quem fez a denúncia, foi um velho, rabugento, nojento, doido chamado de: Martinho.
  • Álvaro fica sabendo do passado de Isaura e Miguel. Resolvi, então, lutar contra Leôncio.
  • Leôncio traz de volta Isaura e seu pai  para o Rio de Janeiro.
  • Miguel fica preso e Isaura acorrentada por dois meses.
  • Para ter novamente Malvina. Leôncio resolveu dar a liberdade á Isaura.
  • Com uma condição: ela se casaria com Belchior.
  • Enquanto isso, Álvaro está em Pernambuco pensando em como libertar Isaura.
  • Álvaro, aconselhado por seu amigo Dr. Geraldo, vai para o Rio de Janeiro.
  • Álvaro compra a fazenda de Leôncio a qual estava arruinada em dívidas.
  • No dia do casamento de Isaura e Belchior, surgi um moço com boa feição.
  • Esse moço era Álvaro o qual alegava ter pagado a dívida da fazenda.
  • Álvaro compra não só a fazenda, como também os escravos de Leôncio.
  • Leôncio, pelo contexto, seria escravo de Álvaro.
  • O  jovem moço não aceita ser.
  • Leôncio acaba travando, em si mesmo, um tiro na cabeça.
  • Isaura e Álvaro acabam felizes.
  • E o casamento de Isaura e Belchior é cancelado.

Personagens principais do livro:

Isaura: uma escrava BRANCA linda que foi educada pelos seus senhores.
Miguel: era o pai de Isaura. Uma boa pessoa e corajosa. Faz de tudo para que sua filha não sofra na fazenda. Ele era um feitor português.
Leôncio: é o vilão da história. Era apaixonado por Isaura; mas, ao mesmo tempo, era casado com Malvina.
Comendador Almeida: é o pai de Leôncio. Também era casado e perseguia, mesmo assim, a mãe Isaura perdidamente.
Juliana: é a mãe de Isaura. Acabou morrendo por não corresponder ao amor do comendador.
Malvina: é a esposa de Leôncio. Ela gostava muito de Isaura. É uma moça bonita e rica.
Henrique: era o irmão de Malvina. Também gostava de Isaura.
Belchior: era o jardineiro. Ele era feio. Possuía uma figura muito horrível.
André: era o pajem de Leôncio. Ajuda o seu patrão com as suas façanhas.
Rosa: era a inimiga de Isaura e, também, uma pessoa invejada.
Álvaro: moço rico, bonito que se apaixona por Isaura.
Dr. Geraldo: grande amigo de Álvaro. Advogado o qual dá conselhos ao amigo.
Martinho: uma pessoa de aparência testuda. Descobri a farsa de Isaura e seu pai.
Adelaide, Laura, Rosália e Emília: são personagens que falam indiscretamente de Isaura.
Jorge: um amigo de Leôncio. É a ele que Leôncio conta suas façanhas.

Temas da obra de acordo com suas passagens no livro:

Um dos temas é: o modo de vida das pessoas que eram escravizadas.  Toda essa parte é contada quando Isaura foi levada ao lugar onde as negras ficavam e lá recebiam castigos.
As desigualdades existentes entre pessoas ricas e pobres: essas questões são levantadas quando Leôncio tenta levar Isaura de Recife para o Rio de Janeiro. Álvaro fica se questionando do país onde vive o qual aceita esses lamentáveis episódios.
Direito do senhor sobre a vida dos escravos: essa questão referente ao direito do senhor ter direito á vida de seus escravos é bem tratada em uma longa conversação entre Álvaro e seu amigo: Dr. Geraldo o qual afirma que todos são iguais nas leis do homens quanto na lei de Deus. Caso aquela não seja cumprida, a lei de Deus perdurará.
Superioridade ao ser rico: o Dr. Geraldo aconselha Álvaro a esquecer Isaura, porque tinha bons dotes e era rico. Logo, o dinheiro pagaria todo os prazeres do jovem rapaz.

Contexto Histórico:

A história é publica no ano de 1875,período em que no Brasil perdurava a escravidão, as desigualdades sociais, o direito sobre a vida de pessoas desfavorecidas. 
A literatura brasileira, nesse tempo, estava crescendo. Vários escritores brasileiros lançavam mão de críticas em suas obras, tendo, muitos deles, uma linguagem abolicionista.
A obra: escrava Isaura torna-se um grande sucesso. Principalmente para o público que encontra na escrava uma heroína a qual possa servir de apoio.


Verossimilhanças da obra:

Escravidão: naquele período, muitos escravizados viviam em condições de vida anormais.
Desigualdades sociais: a classe, naquele tempo, eram somente as pessoas mais ricas. Somente essas recebiam educação.

Foco Narrativo

 A  história é contada em 3ª pessoa. O narrador é onisciente.

Tempo

Quanto ao tempo, pode ser classificado em duas características: cronológico e histórico. Cronológico: a história vai se ascendendo, logo, não retoma ao passado. Histórico: está datada no ano de 1875, período de grandes críticas na literatura brasileira.

Espaço da narrativa

A história é contada em dois lugares: em Campos, Rio de Janeiro no início e final da história. E em Pernambuco, recife, quando Isaura resolveu fugir com o pai.


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O Cabeleira - Franklin Távora ( 1876 )



Enredo em tópicos:

  • O cabeleira, José Gomes, seu pai, Joaquim Gomes, e Teodósio assaltam a vila de Recife e fazem uma carnificina.
  • É apresentado Timóteo, dono de uma taverna que é um refúgio para os malfeitores, também conta a história de quando o cabeleira mata Chica, mulher de Timóteo.
  • Conta a vez em que Teodósio enganou seus companheiros para ficar com o lucro de um roubo.
  • É apresentada a infância de José que, contra à vontade de sua mãe Joana, foi educado pelo pai desde pequeno para ser um assassino cruel.
  • Joaquim leva José para fora de casa para viverem como bandidos e o cabeleira deixam para trás Luisinha, moça no qual jurou retornar homem bom.
  • Luisinha cresce acompanhando os boatos do Cabeleira, que era bandido, e rezava todas as noites para que ele mudasse.
  • Um dia Luisinha foi buscar água e um homem ia levá-la para si, este fere a mãe de criação dela e ela o reconhece por José, que se lembra da mesma.
  • José deixa Luisinha e pede-a que o espere enquanto ele defende uma de suas bases dos ataques de Liberato, que quer vingar a morte de seu irmão Gabriel.
  • Luisinha foge e descobre que sua mãe ainda estava viva e a leva para casa de Liberato, onde só se encontravam mulheres.
  • Liberato e seus filhos são mortos pelos malfeitores que decidem ir tomar as mulheres da casa de Liberato para si, para mostrar que não haviam sido feridos.
  • Os malfeitores, na ausência de Joaquim, capturam um homem que havia encontrado o corpo de Liberato e de seus filhos e o leva como refém para que as mulheres abram a porta na casa de Liberato.
  • Os homens ateiam fogo na casa para que as mulheres saiam nas elas preferem a morte, Luisinha tenta fugir com o corpo de sua mãe finada mãe Florinda, mas é agarrada por Joaquim.
  • José, que pegou carona com Teodósio, chega e pede a seu pai que lhe entregue Luisinha, eles chegam a trocar golpes pela mesma, mas o pai deixa que José fique com ela.
  • O Cabeleira e Luisinha fogem para terras distantes onde o mesmo prometeu que agora teria vida de homem justo e sem derramar sangue.
  • O Cabeleira quase mata um homem que tentou o impedir de roubar algumas frutas, mas é impedido por Luisinha.
  • José quase mata dois homens que foram se apossar de seu cavalo, mas também é impedido por sua amada.
  • José se arrepende de ter matado um homem e descobre o perdão ao rezar o pai nosso, a Santa e Salve Rainha com Luisinha.
  • Luisinha morre vítima da fome, sede e problemas causados pelo incêndio.
  • José Gomes foge ao notar a presença de tropas enquanto lamentava a morte de sua amada.
  • José Gomes polpa a vida de um homem que estava com tantos problemas (fome e sede) quanto ele e decide seguir a promessa que fez à Luisinha de nunca mais derramar sangue.
  • José é capturado e levado para a casa do governador que não confiava na segurança dos presídios.
  • Enquanto José lamentava por não ter tido tempo de enterrar Luisinha, um guarda conta a ele que a enterrou com as próprias mãos.
  • José passa a noite com uma gaita.
  • O Cabeleira, Joaquim e Teodósio são enforcados e Joana morre por um estalo no coração ao ver a cena.


Personagens

Personagens principais:

José Gomes, o cabeleira, criado pelo pai para ser assassino, morre no final do livro por enforcamento.
Joaquim Gomes, pai de José, sanguinário de natureza, morre junto ao José.
Timóteo, taverneiro, entrega os companheiros e sai vivo após ser ameaçado de morte.
Teodósio, companheiro de assalto dos mesmos, velho e é enforcado junto aos dois.
Luisinha, tomada mulher por José, morre vítima da fome, sede e calor na fuga junto ao cabeleira atrás de boa vida.
Joana, mãe de José, morre de ataque cardíaco ao ver marido e filho serem enforcados no fim do livro.

Personagens secundários:

 Liberato, morto pelos malfeitores ao tentar vingar a morte de seu irmão Gabriel.
Gabriel, avisa os malfeitores da chegada das tropas e é morto por eles para tomarem seu cavalo.
Florinda, mãe de criação de Luisinha, morre vítima de incêndio, viúva.
Felisberto, entrega a localização do cabeleira após ser deixado livre pelo mesmo.
Governador, decide que os malfeitores são o câncer da sociedade e melhora as tropas para caçá-los.

Temas da obra

A terra sem lei, o livro cita que não havia muitas coisas que fizessem as pessoas seguirem um bom caminho. A seca é citada diversas vezes e são apresentados vários personagens magros e com sede. A escravidão e o racismo, que é demonstrado por Joaquim e pelos próprios negros Gabriel e Liberato ao longo do livro.

Contexto histórico

Século 18, José Gomes tinha 16 anos em 1776, no assalto da vila de Recife e não demorou muito para morrer após isso.


Verossimilhança do livro

A obra é baseada na história de José Gomes  e os relatos de crimes cometidos pelo mesmo um século antes da publicação do livro, é apresentado a real seca no sertão que assola a população daquela região e também a crise econômica daquela época que é mostrada quando o governador decide que a culpa era dos bandidos e em algumas partes que conta as vezes que o governador distribuiu a esmola aos pobres.

Foco narrativo

A vida de José Gomes, o cabeleira, bandido e assassino.

Tempo

Final do século 18, no primeiro capítulo conta um assalto feito pelos mesmos em 1776, quando o cabeleira tinha 16 anos.

Espaço narrativo

Sertão do nordeste, retrata diversas vezes a fome e a seca a qual o povo passava.

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O Tronco do Ipê - José de Alencar (1871)


  • Resumo em tópicos do enredo do livro:

·         O livro: O tronco do ipê é um romance romântico que gira em torno dos personagens  principais: Alice e Mário. Na primeira parte, o livro mostra um viajante que se encontra na fazenda do Boqueirão e conversa com um preto velho chamado de: Pai Chico, nessa parte introdutória do livro faz se notar um clima muito sinistro e misterioso que cerca a fazenda, no qual o viajante volta seis anos depois para poder narrar os fatos que o sucederam.
·        Mário protagonista do livro é filho de D. Francisca, viúva vive na casa grande desde a morte do marido, Mário acredita que o barão tenha matado seu pai, pois como pode este acolher a ele e a mãe como se fossem da família?, o jovem achava que o barão o fizera para tentar apagar o passado da morte do pai. O pai de Mário, José de Freitas era filho do dono da fazenda do Boqueirão, e ele morava na casa de seu pai com a esposa e o filho. Porém a esposa do Comendador Freitas, avô de Mário ficara viúvo, e com um tempo ele arranjou uma mulher para casar, bem mais jovem que ele, chamada D. Alina, uma mulher dissimulada e falsa que com suas intrigas fez com que o Comendador mandasse seu filho sair da fazenda. À beira da morte o comendador pedira ao Pai Chico, que mandasse o filho até lá, a fim de visitá-lo, e assim o fez, pai e filho mantinham contato sem D.Alina saber e em uma dessas idas a casa do pai, José de Freitas perde o caminho na escuridão, e cai no Boqueirão, um enorme rio que ficava, ao fundo da grande fazenda, próximo da casa do preto velho. Sabendo disso, o pai não aguenta e morre.
·        Com a morte do Comendador, a casa e toda a fazenda encontrasse hipotecada a um amigo de José, o Joaquim de Freitas, pai da gentil e doce Alice, com quem Mário crescera.
·         O auge da obra é quando por curiosidade Alice vai até o Boqueirão, e é tragada pelo redemoinho do rio, mas Mário vendo aquilo, em um ato de bravura a salva e entrega a menina ao pai.
·      Com isso o barão decide pagar os estudos do menino, que volta sete anos depois na fazenda, formado em engenharia, ele retorna na véspera de natal.
·      O amor de Mário e Alice é impedido pelo sentimento de repulsa que Mário sentia pelo barão, pensando que este tinha tirado a vida do seu pai, no desfecho descobre que o barão não o fizera, e então pode viver ao lado do seu grande amor Alice, assim eles casam e vão morar na corte.
     
  • Personagens principais e secundárias do livro:

·       Alice: menina gentil e alegre, tinha cabelos loiros e olhos bem azuis, que chegavam a ser comparados as nuvens, apesar de ser filha do barão mostravasse muito humilde em seu caractér, conversava com todos os criados e fazia questão de ajudá-los no que precisassem, ela amava colher frutas e gostava do campo.
·            Adélia: Ào contrário de Alice apresentava o gosto enervado das grandes cidades, se vestia muito bem e era a melhor amiga de Alice
·            Mário: jovem cheio de vida mas, revoltado com o barão pois acusava ele da morte do pai
·            Eufrosina : mucama de Alice
·            Joaquim de Freitas: barão e pai de Alice.
·            D.Júlia: mãe de Alice, a baronesa.
·            D.Luísa: mãe de Adélia
·            Domingos pais: pai de Adélia, e conselheiro
·            Pai Chico: negro que estimara Mário.
·            D.Alina: esposa do avô de Mário, agora viúva.
·            Dr.Matos: pai de Frederico, homem mais rico depois do barão.
·            Frederico de Matos: filho de Matos, apaixonado por Adélia.
·            Lúcio: filho de de D.Alina, amava Adélia.
·            Martinho: pajem da casa.
·            Tia Chica: esposa do pai Benedito, esta estima muito a Alice
·            Mucamas e negras: que eram conhecidas de Alice.
·            Padre: chegou na Fazenda na época do natal para fazer a missa.
  • Temas da obra:

        Sede por vingança: Mário suspeitava do barão e isso trouxe ao jovem um sentimento de repulsa, como não podia se vingar deste, Mário machucava quem diretamente machucaria o barão, sua filha Alice, esta por diversas vezes foi rejeitada pelo moço, desde a infância Mário se mostrava frio aos sentimentos da moça, por mais que por dentro esse sentimento se mantivera aquecido como fogo.
       Amor impossível: Por mais que ambos se amassem, o amor era impossível segundo Mário, pois como pode ele casar-se com a filha do homem que além de roubar tudo que era seu, matou o pai do jovem.
      O amor supera o ódio: quando Alice ia morrendo afogada, e Mário viu, ele pensou por alguns instantes que era certo acontecer aquilo, pois foi aquilo que o pai dela fez com o dele, mas ele não se deixou levar pelo ódio e pulou do penhasco para salvá-la mesmo que aquilo, pois foi aquilo que o pai dela fez com o dele, mas ele não se deixou levar pelo ódio e pulou do penhasco para salvá-la mesmo que aquilo lhe custasse a vida, ele precisava pelo menos tentar e com muita dificuldade conseguiu salvá-la.
  • Contexto histórico do livro:

        A obra Alencariana: O Tronco do Ipê, foi publicada em 1871, tratasse de um romance romântico regionalista, seu contexto histórico está inserido em 1850, no século dezenove, onde predominava no Brasil o sistema de escravização do negro, trazido da África. No livro pode-se notar isso, pois ele cita que existia a sinhá, o barão, as amas de leite conhecida como mucamas e os escravos que eram responsáveis pela produção do melaço. Porém a obra mostra a fase áurea do café, e a queda da utilização da mão de obra escrava, em detrimento das fábricas e indústrias que surgiam. A estrutura do sistema de escravidão é muito evidente na obra pois existia: a casa grande, onde morava o barão e a família, a senzala, onde ficavam os escravos e a capela onde faziam suas rezas.
  • Verossimilhança na obra:

    É possível observar tal verossimilhança pois, a obra tem como pano de fundo um contexto histórico, e na obra José de Alencar faz a caracterização do negro, mostrando suas crenças através do Pai Benedito, que era macumbeiro, seus valores e força através do herói Mário, suas lendas da carochinha contadas por Tia Chica. Enfim a tradição e os costumes dos negros, até nas palavras e no samba. Porém, é possível também observar o inverossímil; o maravilhoso como as vozes que Mário ouvia sair do chão, a idealização do pai, e as próprias histórias da carochinha que eram contadas por tia Chica.
  • Foco narrativo:

       O narrador é onipresente e onisciente, pois na primeira parte ele participa da obra sendo um viajante, e nas seguintes ele somente descreve em terceira pessoa os fatos que se sucedem.
  • Tempo:

       Na obra o tempo é cronológico, algumas vezes o autor volta ao passado, em forma de flash-backs.
  •  Espaço da narrativa:

      O espaço da narrativa se dá em todo o livro em um cenário campestre, mostrando as belas regionais do Rio de Janeiro, na fazenda a figura assombrada do tronco do ipê e o boqueirão.
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