26/10/2015

Arara Azul


Para aquele garoto, 
Que não aprendi o nome, nem quero.
Será apenas, eternamente 
Minha arara azul.

A arara que voa pelos meus ares,
No amanhecer e no entardecer,
Procurando seu lar, 
Seu par. 

Então, me apresento como sua árvore.
Em horas vagas, e nas horas escuras.
Sou proteção, paz e cura.

Mas jamais um lar, 
Sou um ninho temporário
Que pela chuva, fez meu pássaro pousar. 


Por: "Queren Hapuque"
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C.A.F.É



Cá, cabisbaixa calada com calafrio.
Alguém abraçou-me, aqueceu-me, acolheu-me 
Feliz. Fria, ferida
Eu estava. Emendamo-nos. 

Por: "Queren Hapuque"
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22/10/2015

Poema: Último soneto


Já da noite o palor me cobre o rosto,

Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!
 
Do leito, embalde num macio encosto,
Tento o sono reter!... Já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece...
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!
 
O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.
 
Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos, por piedade,
Olhos por quem viveu quem já não vive!



Por: Álvares de Azevedo 



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Poema: Se eu morresse amanhã


Se eu morresse amanhã, viria ao menos

Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
 
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
 
Que sol! que céu azul! que doce n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
 
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

Por: Álvares de Azevedo 




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Poema: O poeta moribundo


Poetas! amanhã ao meu cadáver

Minha tripa cortai mais sonorosa!...
Façam dela uma corda e cantem nela
Os amores da vida esperançosa!
 
Cantem esse verão que me alentava...
O aroma dos currais, o bezerrinho,
As aves que na sombra suspiravam,
E os sapos que cantavam no caminho!
 
Coração, por que tremes? Se esta lira
Nas minhas mãos sem força desafina,
Enquanto ao cemitério não te levam,
Casa no marimbau a alma divina!
 
Eu morro qual nas mãos da cozinheira
O marreco piando na agonia...
Como o cisne de outrora... que gemendo
Entre os hinos de amor se enternecia.
 
Coração, por que tremes? Vejo a morte,
Ali vem lazarenta e desdentada...
Que noiva!... E devo então dormir com ela?
Se ela ao menos dormisse mascarada!
 
Que ruínas! que amor petrificado!
Tão antideluviano e gigantesco!
Ora, façam idéia que ternuras
Terá essa lagarta posta ao fresco!
 
Antes mil vezes que dormir com ela.
Que dessa fúria o gozo, amor eterno
Se ali não há também amor de velha,
Dêem-me as caldeiras do terceiro inferno!
 
No inferno estão suavíssimas belezas,
Cleópatras, Helenas, Eleonoras;
Lá se namora em boa companhia,
Não pode haver inferno com Senhoras!
 
Se é verdade que os homens gozadores,
Amigos de no vinho ter consolos,
Foram com Satanás fazer colônia,
Antes lá que no Céu sofrer os tolos!
 
Ora! e forcem um'alma qual a minha,
Que no altar sacrifica ao Deus-Preguiça,
A cantar ladainha eternamente
E por mil anos ajudar a Missa!

Por: Álvares de Azevedo

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Poema: O noivado do sepulcro


Vai alta a lua na mansão da morte
Já meia noite com vagar soou;

Que paz tranqüila; dos vaivéns da sorte
Só tem descanso quem ali baixou.

Que paz tranqüila!... mas eis longe, ao longe
Funérea campa com fragor rangeu;
Branco fantasma semelhante a um monge,
Dentre os sepulcros a cabeça ergueu.

Ergue-se, ergue-se!.. na amplidão celeste
Campeia a lua com sinistra luz;
O vento geme no feral cipreste,
O mocho pia na marmórea cruz.

Ergue-se, ergue-se!... com sombrio espanto
Olhou em roda... não achou ninguém...
Por entre as campas, arrastando o manto,
Com lentos passos caminhou além.

Chegando perto duma cruz alçada
Que entre os ciprestes alvejava ao fim
Parou, sentou-se e com a voz magoada
Os ecos tristes acordou assim:

“Mulher formosa, que adorei na vida,
E que na tumba não cessei de amar,
Porque atraiçoas, desleal, mentida,
O amor eterno que te ouvi jurar?”

“Amor engano que na campa finda,
Que a morte despe da ilusão falaz;
Quem dentre os vivos se lembrará ainda
Do pobre morto que na terra jaz?”

“Abandonado neste chão repousa
Há já três dias. E não vens aqui...
Ai quão pesada me tem sido a lousa
Sobre este peito que bateu por ti!”

“Ai quão pesada me tem sido e em meio,
A fronte exausta lhe pendeu na mão,
E entre soluços arrancou do seio
Fundo suspiro de cruel paixão”.

“Talvez que rindo dos protestos nossos,
Gozes com outro de infernal prazer;
E o olvido cobrirá meus ossos
Na fria terra sem vingança ter!”

“- Oh nunca, nunca!” de saudade infinda,
Responde um eco suspirando além...
“- Oh nunca, nunca!” repetiu ainda
Formosa virgem que em seus braços tem.

Cobrem-lhe as formas divinais, airosas,
Longas roupagens de nevada cor;
Singela  c´roa de virgíneas rosas
Lhe cerca a fronte de um mortal palor.

“Não, não perdeste meu amor jurado:
Vês este peito? Reina a morte aqui...
É já sem forças, ai de mim, gelado,
Mas ainda pulsa com amor por ti.”

“Feliz que pude acompanhar-te ao fundo
Da sepultura, sucumbindo à dor:
Deixei a vida...que importava o mundo,
O mundo em trevas sem aluz do amor?”

“Saudosa ao longe vês no céu a lua?”
- Oh  vejo sim... recordação fatal!
- Foi à luz dela que jurei ser tua
Durante a vida e na mansão final.

“Oh vem! Se nunca te cingi ao peito,
Hoje o sepulcro nos reúne enfim...
Quero o repouso de teu frio leito,
Quero-te unido para sempre a mim!”

E ao som dos pios do cantor funéreo,
E à luz da lua de sinistro alvor,
Junto ao cruzeiro, sepulcral mistério,
Foi celebrado, de infeliz amor.

Quando risonho despontava o dia,
Já desse drama nada havia então,
Mais que uma tumba funeral vazia,
Quebrada a lousa por ignota mão.

Porém mais tarde, quando foi volvido
Das sepulturas o gelado pó,
Dois esqueletos, um ao outro unido,

Foram achados num sepulcro só.

Por: Passos, Soares de
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Obra: Dom Casmurro - Machado de Assis (1899)


Enredo

Tudo começa quando José Dias apressa D. Glória, mãe de Betinho, a colocá-lo no seminário, já que ela fez uma promessa quando o menino ainda era um bebê.  Bentinho ouve tudo, inclusive a desconfiança de José Dias, de que ele pode estar apaixonado por Capitu, e na verdade Bentinho acaba descobrindo que realmente está.  Ele fala para Capitu de sua ida ao seminário, ela pede que Bento fale com José Dias para que ele converse com D. Glória fazendo-a desistir da promessa. Não adianta muito, a mãe não muda de ideia e a única coisa que resta é a promessa de Bentinho e Capitu de que vão se casar sob qualquer circunstância. Assim, Bentinho vai para o seminário, onde se torna muito querido por todos e conhece Escobar, garoto que vai se tornar seu melhor amigo. Entre alguns finais de semanas e feriados Bentinho pode voltar para casa, e lá não esconde seu desejo de sair do seminário, assim como seu amigo Escobar que alega ter vocação para o comércio.  
D. Glória também já não tem tanta vontade que o filho continue no seminário e cogita a hipótese de Bentinho se casar, entretanto não quer quebrar a promessa que fez.  Daí padre Cabral sugere a D. Glória colocar outro garoto no lugar de Bentinho, assim a promessa não será quebrada. Com isso Bento sai do seminário e Escobar também, ele se casa com Capitu e seu amigo com Sancha, suas vidas são alegres e tranquilas, Sancha e Escobar tem uma filha e Bento e Capitu não, mas sonham em ter um bebê. Passado um tempo, eles conseguem ter um filho, cujo nome é Ezequiel e tem um costume de imitar as pessoas.
Escobar morre afogado e daí começam as suspeitas de Bentinho em relação ao adultério de Capitu, pois no enterro de Escobar, Capitu demonstra seus sentimentos de maneira diferente e olha com seus  ‘’olhos de ressaca’’ para a corpo. Além do mais, a cada dia que passa Ezequiel vem se parecendo mais  com Escobar. Bentinho alega que Capitu o traiu com seu amigo, pois já os tinha visto muitas vezes sozinhos, Capitu não chega a negar, mas acaba pedindo a separação. Bentinho pensa em se matar e até mesmo matar a esposa e o filho, porém, por falta de coragem, acaba desistindo. Capitu vai para a Europa com o filho, onde acaba morrendo e Ezequiel acaba voltando para encontrar-se com o pai. Ao rever o filho, Bentinho percebe que Ezequiel está cada vez mais parecido com Escobar, o que só concretiza suas suspeitas a respeito do adultério da esposa.  Resolve aceitá-lo como filho, no entanto, Ezequiel morre em uma viagem a Jerusalém, vítima de uma febre.
Bentinho, agora denominado Dom Casmurro, vive sozinho no Engenho Novo recordando o passado e as histórias de Capitu, motivo pelo seu sofrimento pessoal, que nem ele mesmo conseguiu provar se houve ou não um adultério.

Personagens

  • Capitu: Segundo José Dias tinha ‘’olhos de cigana oblíqua e dissimulada’’ era uma mulher afrente de seu tempo, independente e forte emocionalmente. Era ‘’ alta, cheia, vestia um vestido de chita meio desbotado e tinha cabelos grossos amarrados por uma trança, tinha olhos grandes e claros e nariz reto’’.
  • Bentinho: Era inseguro, criado pela mãe e mimado pelos tios. Foi para um seminário devido a uma promessa de sua mãe, mas não tinha vocação para padre. Era um típico jovem da elite do Rio de Janeiro do século XIX.
  • D. Glória: Mãe de Betinho era viúva e também era uma mulher forte e independente que criou Bentinho sozinha, sem a presença do marido.
  • Pedro Santiago: Pai de Bento, que faleceu, o filho não tem muitas lembranças além do pai ser ‘’alto e ter olhos arregalados’’.
  • José Dias: O agregado na casa de Bentinho. Amava os superlativos e é quem incentiva a ida do menino para o seminário, cuida e protege Bento com um aspecto paternal.
  • Padre Cabral: É quem ensina Bentinho aulas de latim e lições para o seminário, mais tarde, com a vontade do menino de sair, é ele quem dá a ideia a D. Glória para colocar outro no lugar de Bento.
  • Prima Justina: Tia de Bentinho, pessoa egoísta que sempre vê o lado ruim das pessoas, como ressalta no livro ‘’conta o mal de Pedro a Paulo e o que viu de mal em Paulo a Pedro’’.
  • Sancha: Amiga de Capitu do colégio e que vai se casar com Escobar.
  • Senhor Pádua e D. Fortunata: São os pais de Capitu, o pai é apaixonado por pássaros e a mãe parecia com Capitu fisicamente.
  • Tio Cosme: O homem gordo, advogado e também viúvo, trabalha em um escritório na cidade. É um personagem neutro, não é a favor nem contra a vontade de Bentinho.
  • Escobar: Melhor amigo de Bentinho no seminário tem olhos azuis e é apaixonado por cálculos. É acusado por Bentinho de ter um caso com Capitu, onde é a grande dúvida do livro, se casa com Sancha e morre afogado.
  • Ezequiel: Filho de Capitu, e um dos frutos da desconfiança de Bentinho em relação ao adultério de sua mulher, por se parecer com Escobar, acabam morrendo em Jerusalém devido a uma febre.

Temas da Obra

O tema principal é o ciúme de Bentinho em relação à Capitu, seu primeiro vestígio de ciúme é quando pergunta de José Dias no seminário ‘’como vai Capitu?’’,  o agregado responde que ela vai bem e alegre e que ‘‘não se aquieta até que case com algum peralta do bairro”. Outro tema é o fracasso conjugal de Bentinho e Capitu que se deve a desconfiança do adultério da esposa  com seu amigo Escobar. Outro tema também presente é o Rio de Janeiro do Segundo Império na casa de um jovem da elite, onde é mimado pela mãe e tios. Outros temas são a política, a ideologia e a religião do Segundo Império.
Obs.: A citação de imperadores como Nero, César e Augusto, que mataram suas mulheres por adultério, e Otelo da peça de Shakespeare, que ocorre no livro também revela o ciúme e a suspeita de uma traição como sua principal temática.

Contexto Histórico da Obra

O contexto histórico é o realismo, época em que os autores se preocupavam exclusivamente em mostrar a verdade. Ocorre durante o Segundo Reino, onde impera o conhecido ‘’parlamentarismo às avessas’’. O Brasil da época é marcado por ideias liberais, republicanas e ‘’modernas’’. No entanto tem uma estrutura política econômica oligárquica, agrária, latifundiária e coronelista. No livro é possível perceber esse período quando Bentinho pensa em pedir ajuda ao Imperador que estava no Brasil. Esse Imperador, no caso, seria D. Pedro II.

Verossimilhança da Obra

A verossimilhança é a época da escravidão, o domínio da igreja sobre a sociedade (citação ‘’Ser padre é santo e bom’’), o casamento como formal de ascensão social (quando Capitu se casa com Bentinho, pois ele era rico e ela pobre) e a possibilidade de um adultério cometido por uma mulher, o que mostra o casamento em declínio social na época.

Foco Narrativo

É um romance narrado em primeira pessoa por Bento Santiago, que resolve contar sua vida e, dessa forma, o livro é uma pseudo-biografia de um homem velho que, para preencher sua solidão, tem recordações de seu passado, que não desaparecem devido ao seu sofrimento pessoal. O narrador é onisciente e conta a historia a partir de seu ponto de vista.

Tempo da Obra

O tempo é psicológico e cronológico.
Psicológico: faz um flashback onde passa a construir sua história através de sua memória. Quando Bento  já é um velho casmurro e  conta sua história a partir de seu ponto de vista.
Cronológico: começa em 1857, quando José Dias fala para D. Glória apressar a ida de Bentinho para o seminário.
1858: Bentinho entra no seminário
1865: Bentinho se casa com Capitu
1872: Há a separação do casamento de Capitu e Bentinho

Espaço da Narrativa


A história se passa no Rio de Janeiro e ocorre em bairros com Engenho Novo (onde Casmurro escreve sua história), Matacavalos (onde Bentinho e Capitu vivem e se conhecem), na Europa (onde Capitu morre), em São Paulo (Bentinho vai estudar direito) e no Oriente Médio (ocorre a morte de Ezequiel por uma febre).
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Poema: Rosa Vermelha


Rosa vermelha, teu perfume me encanta
Rosa vermelha, teu olhar me fascina
Dentre todas és a mais linda.
Mas, por que me tratas assim,
Com alardeada arrogância? 
Se sou o cavalheiro de tua valsa
Se sou o escravo que te serve
Agora como um bobo estou,
Apaixonado por ti meu amor
Concede-me então, a tua belíssima mão.

Por: Thalyta Marques
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Poema: Cadência


Quero bailar ao som do teu instrumento
Me enamorar pelos teus olhos negros
Eles que me trazem alento.

Ao som do teu instrumento,
bate meu coração.
Numa cadência precisa que até o diapasão
desconfia,
de tamanha exatidão.

Por:  Thalyta Marques
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21/10/2015

(Un)friends.


Paulo Santos assistia a programação que passava na televisão enquanto sua mulher, Julia Santos, finalizava os preparativos do jantar. Eles receberiam em sua casa esta noite Miranda e Carmen, velhos amigos do casal. Eram da vizinhança, Miranda e Paulo cresceram juntos, foram amigos durante a época da escola, contudo se distanciaram quando adultos, pois Paulo se tornou policial e se dedicara ao ofício plenamente mudando-se para um bairro mais próximo do quartel, quanto que Miranda continuou na mesma comunidade, dando continuação no negocio dos pais, um estabelecimento comercial. Recentemente, Paulo que agora já se aposentara da milícia, regressara para o antigo bairro e foi aí que reencontrou o velho amigo. Cumprimentaram-se e foi ai que Paulo convidou Miranda para ir até a sua casa na noite de hoje. 
Paulo ainda assistia o jornal na TV quando Miranda e Carmen chegaram sua casa. Com eles veio também o neto de Miranda, Caio, o menino era cuidado pelos avós deste os três anos de idade, hoje com 7 é como se eles fossem seus pais. 
Carmen se dispôs em ir ajudar Julia a finalizar o jantar, as duas eram bem próximas, pois já se conheciam de antes. Quando pronto, o jantar foi servido e todos comeram, conversaram e se divertiram. 
Na manhã seguinte após o jantar, Julia recebeu uma ligação de Carmen, a senhora desesperada chorava ao telefone, pois Caio havia sido sequestrado enquanto estava a caminho da escola. Paulo, assim como também muitos vizinhos, se ofereceu a prestar ajuda e solidariedade para com Miranda e Carmen. O ex-policial entrou em contato com seus antigos colegas de trabalho que apesar de alegarem que precisaria de no mínimo 48 horas de desaparecimento, estavam dispostos a agilizar o processo. 
 Passou um tempo, até que enfim a família teve notícias do menino. Os sequestradores entraram em contato e exigiam RS 200.000,00 pelo resgate do menino. Carmen ao saber do telefonema se desesperou, não sabia fazer outra coisa a não ser chorar, lamentando a situação, a tragédia, a vida. Miranda, tenso, estava calado como se calculasse algo ou pensasse em um plano, ou talvez em um culpado, porque convenhamos a de haver um.  Um que conhecia bem a família e suas finanças secretas.
Paulo, que estava todo o tempo em cena, consolou o amigo com as poucas palavras que sabia usar para a ocasião, e então fez o que melhor sabia, telefonou novamente para seus antigos companheiros, nomeados José e Carlos, os quais comprometeram-se em prestar urgência ao caso de Caio. Enquanto também Miranda telefonava para companheiros e parceiros, mas diferente do outro, a conversa de Miranda era com aqueles que já estavam a um passo na frente, tendo em mente os possíveis sequestradores, e em mãos, o dinheiro.
Quando os policiais chegaram até a residência de Miranda, onde se encontrava um grupo de familiares, parentes e curiosos, o mesmo se sentiu desconfortado, na realidade, acreditava não precisar daqueles oficiais, pois sabia que juntos com seus companheiros a justiça seria feita. A verdade que Paulo desconhecia era que Miranda não era apenas um simples comerciante e aquele não era um caso de sequestro comum. Miranda também tinha seus modos ilícitos de ganhar dinheiro, assim como também os possíveis sequestradores, os quais não admitiam concorrência, e se houvesse alguma, estavam dispostos a ficar com o lucro.
A noite já surgia, quando José recebeu a noticia de que Carlos através do rastreamento da ligação de resgate obteve o endereço do possível cativeiro que estaria Caio. Enquanto a noticia se espalhava pela casa, o telefone tocou. Miranda atendeu e com a raiva transparecendo em sua voz marcou um local para entregar o dinheiro aos bandidos, e mentindo, afirmou que iria sozinho.
O local determinado era um galpão, a mesma localidade do cativeiro. Miranda se aproximava sozinho do lugar enquanto a policia se escondia mais atrás preparados para prender os criminosos assim que surgissem, o que nos planos de Miranda não aconteceria, pois pretendia mata-los e efetuar seu  próprio conceito de justiça.
Ao adentrar o lugar, o avô viu o neto nas mãos do suspeito sequestrador, atrás havia mais dois homens, o sequestrado aparentava fraqueza provavelmente não havia sido alimentado. Miranda abriu a mala com o dinheiro falso e a jogou no meio da sala, ao mesmo tempo em que soltavam Caio e então o menino se aproximava de Miranda, mas ele não chegou até o seu avô. Tudo aconteceu quase que simultaneamente. Primeiro, Miranda atirou em seu principal rival, enquanto os companheiros deste vendo a cena atiraram em Miranda e Caio, e fugiram.
Ao ouvir os barulhos de tiro, a polícia invadiu o galpão com a missão de salvar o garoto, mas ao adentrar percebeu que não havia ninguém para ser salvo ali. A cena era apenas para ser lamentada. Miranda morto próximo à entrada, mas outro corpo sem vida mais ao centro e o pequeno corpo do menino de sete anos que com o seu sangue regava as notas de dinheiro esparramadas pelo chão.

Por: "Queren Hapuque".
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