18/10/2015

Memórias De Um Sargento De Milícias - Manuel Antônio de Almeida ( 1852 )



Enredo:

Era no tempo do rei, quando Leonardo Pataca se enfada de seus negócios e pretende viajar. No navio rumo ao Brasil, conhece Maria das Hortaliças, uma saloia e após um mês de cortejos diferentes em forma de beliscada da parte dela e pisadelas da parte dele, os dois descem juntos a terra e a saloia sente enjôo: Leonardo, o menino, era fruto da pisadela e do beslicão. Quando Leonardo tinha sete anos, o pai briga com a mãe, acusando-a de adultério, enquanto isso, o menino se entrete rasgando uns autos do pai. Acaba recebendo um chute no meio dos glúteos. Procura o padrinho barbeiro e relata o que acontece em casa. O mesmo vai lá para tentar resolver a situação, mas no final das contas, Maria das Hortaliças acaba fugindo num navio com um marinheiro. O pai não quer saber do menino, o qual fica sob tutela do padrinho, que o aceita com todo gracejo.
Quando Leonardinho tinha nove anos, o compadre decidiu ter uma conversa com ele, a fim de encaminhá-lo aos rumos do clero. Tentou de todas as formas, desde o ensino do abecedário, à petição do Sacristão que permitisse o menino ser coroinha, mas nada mostrou resultados. Em qualquer atividade que o garoto se metia, ele era levado: Ao estar com o compadre aprendendo o abecedário teimava em engatar, na escola levava o bolo na mão, dado pelo mestre todos os dias e na igreja realizava muitas travessuras, sendo o ápice o desmascaramento do Sacristão, criando uma situação para que este fosse pego de ceroulas e meias na casa da cigana, sua amante.
No período da adolescência não se mostrou diferente, sumia por noites e dentre outras travessuras. Foi nessa fase que conheceu Luisinha, seu primeiro amor. A menina era sobrinha de D. Maria, amiga do compadre.
O compadre, desenganado, desistiu de seus planos e deixou o menino à sorte, viver a vida malandra que escolhera. O compadre morre.
Leonardinho vai morar com seu pai, o qual depois de iludir-se com a cigana, emendou-se com Chiquinha, sobrinha da comadre. O rapaz não se dá bem com a madrasta e é expulso de casa. Vai morar na casa de um amigo da Sé, Tomás, junto com uma família cigana.
Apaixona-se por Vidinha, integrante da família, a qual já tinha seus primos como pretendentes. Eles armam para tirar Leonardo da jogada e numa das festas, o Major Vidigal o prende. Foge no caminho para a cadeia. A comadre lhe arranja um ofício na Ucharia, mas ele apronta com o toma-largura, cortejando a mulher dele. É demitido. Vidinha vai à Ucharia acertar as contas com a mulher do toma-largura. Leonardo vai atrás às tentativa de remediar e é pego pelo Vidigal. É ordenado granadeiro, como punição.
Neste período, Luisinha se casa com José Manoel, um trambiqueiro que a trata mal depois do casamento. Leonardo ainda apronta como granadeiro e é preso. A comadre e D. Maria, já com planos de juntar Luisinha e Leonardo, recorrem à Maria-Regalada (antigo amor do major) e essa consegue que solte Leonardo e ainda que este ganhe uma promoção para sargento.
José Manoel morre e Leonardo baixa o posto para sargento de milícias só para casar com Luisinha. Final feliz do anti-heroi.

Personagens Principais:

Leonardo-Pataca: gordo, rosto avermelhado e cabelos brancos, meirinho (oficial de justiça) e pai do Leonardinho.
Maria das Hortaliças: Mãe de Leonardinho, saloia, quitandeira e bonita. Abandona o filho ao fugir de volta para Lisboa com um marinheiro.
Compadre: Cinquenta anos, nunca dantes teve afeição por ninguém, partidário do celibato, quer muito bem ao afilhado e deixa para ele um dote que conseguiu enganando um marinheiro.
Comadre: gorda, baixa, bonachona, parteira, devota, vestia-se com uma saia por cima de um vestido qualquer, rosário no bolso, lenço no pescoço e tudo isso coberto por uma mantilha. Toma conta e cria mais afeições por Leonardinho após a morte do compadre.
D. Maria: gorda, velha, rica e tinha a mania das demandas, amiga do compadre.
Luisinha: sobrinha de D. Maria, primeiro amor de Leonardo, herdeira de um dote deixado pelo pai. No início magra, pálida, acanhada, depois toma feições.
José Manoel: alto, magro, narigudo e tinha a mania da maledicência. Interessa-se por Luisinha a fim de aplicar um golpe e ficar com a herança.
Major Vidigal: manso, paciente e objetivo no que fazia. Chefe de Polícia tinha um amor antigo: Maria Regalada, uma mulher alegre.
Vidinha: mulata, bonita, namoradeira e toca viola. Uma paixão de Leonardo quando este passou um tempo fora da casa do pai.
Leonardo: travesso desde criança, picaresco, vadio, malandro e protagonista.
Outros como os ciganos ociosos e festeiros, Juca-malvado, Teotônio (animador de festas) e o Sacristão da Sé infiel ao celibato clerical e o mestre-de-reza cego merecem destaque por denunciar característica da sociedade da época.

Temas da Obra:

O livro apesar de fazer parte do Romantismo, não apresenta muitas características do movimento. Não há fuga, idealização do amor e nem engrandecimento da natureza. Há, sobretudo, um olhar de mais perto para a sociedade pobre daquela época. Os personagens são planos, não mudam de personalidade ao longo da história e nem são, em sua maioria, nomeados, mas interpretados como sub-classificados. Não faz uma crítica direta aos personagens, mas mostra que todos têm falhas.

O sacristão da Sé: infiel ao celibato clerical

Feiticeiros eram comumente procurados, Leonardo-Pataca mesmo chega a recorrer a um deles.

Major Vidigal: envolve seus sentimentos no trabalho ao promover Leonardinho a sargento pelo pedido de sua amada.

Há também pela primeira vez a figura do anti-heroi brasileiro, picaresco, vadio, malandro, mas que não usa a força e dá sempre um jeitinho de se safar: Leonardo nunca bateu em ninguém. Sempre continuava com peripécias. É uma obra que foge, no entanto apresenta final romântico, não comumente trágico, mas feliz.

Contexto histórico

“Tempo do Rei” corresponde ao século XIX, com a vinda da família real para o Brasil na época de D. João VI. Cidade equipada conforme as necessidades da corte. Museu, teatro, escolas e etc.

Verossimilhança

Personagens como meirinhos, Major Vidigal, realmente existiram. Como é um retrato do subúrbio do Rio de Janeiro na época do reinado de D. João VI expressa fielmente essa classe. Os imigrantes portugueses como ciganos os quais viviam em festas e algazarras, além de serem ociosos. A falta de valores da corte como o casamento sendo compromisso político ou oficial. Nessa classe, naquela época, se juntavam quem se atraía. Festas religiosas das quais as de hoje não chegam nem aos pés

Ex: Leonardo-Pataca e Maria das Hortaliças, Major Vidigal e Maria Regalada.

Foco Narrativo

Terceira pessoa, narrador onisciente. Esse distanciamento de observador abre espaço para crítica aos personagens e aproxima a linguagem popular coloquial.

Tempo

Histórico, mas predominantemente cronológico, pois apesar da quebra de coesão por ser novela de folhetim, há um desenvolvimento e desenrolar da história.

Espaço da Narrativa

Subúrbio do Rio de Janeiro no século XIX. Classe pobre, não é um ambiente da corte.

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