Enredo em tópicos
- O lavrador Jose das Dornas é um feliz e prospero viúvo, bastante robusto apesar de seus 60 anos.
- Tinha dois filhos: Pedro e Daniel.
- Pedro é o mais velho e a copia de seu pai, era o tipo de beleza masculina e tamanha coincidência o levou a seguir os mesmos caminhos do pai como lavrador.
- Já Daniel era exatamente o contrario, tanto física quanto moralmente. Tinha feição delicada e por conta disso o pai decidiu tornar-lhe padre. O reitor foi quem mais se importou com isso e passou a ensina-lo latim.
- Porém, aos poucos Daniel passou a se atrasar às aulas e chegar tarde em casa dizendo que estava estudando muito.
- Seu pai acha exagero estudar tanto e certo dia o reitor o seguiu e o encontrou com sua namorada, uma pastora chamada Margarida.
- Ao contar isso para o José das Dornas, ele manda Daniel para estudar medicina.
- Margarida (guida) era meia irmã de Clara, filha de um segundo casamento de seu pai. Elas se tornaram muito amigas quando a madrasta, que a maltratava muito e a servia como empregada, morre.
- Margarida era autodidata e sofria bastante por amor, ela é solitária e infeliz em decorrência da infância sofrida.
- Clara era uma moça alegra e entregue as cantorias, era leviana e conhece Pedro, por quem se apaixona e marca o casamento.
- Daniel, já medico formado, resolve voltar para assistir ao casamento do irmão e ao chegar, deixa todas as moças da redondeza apaixonadas.
- Ao ser apresentado a Clara, ele se apaixona, e como é um moço bastante galanteador não se restringe a dar em cima dela mesmo sabendo que não é certo.
- Clara, que é sonsa, não percebe de primeira os galanteios e retribui os tratamentos, ate que certo dia, Daniel vai visita-la durante a noite.
- Pedro, que passeava pelas redondezas, ouviu conversas dentro da casa de Clara e entra pensando que é um ladrão.
- A surpresa em encontrar o irmão faz com que Pedro pulasse em cima de Daniel, e aproveitando a confusão, margarida troca de lugar com a irmã.
- Ao ver margarida, Paulo se lembra de que ela era sua namorada de infância e a pede em casamento.
- Após muita relutância e insistência da Clara, de Jose das Dornas e do reitor, Margarida aceita o pedido.
Personagens principais e secundários:
- Margarida - autodidata, recebe maus-tratos quando criança o que a torna uma adulta infeliz e solitária. É uma pessoa boa e tenta ajudar os que lhe pedem. É uma das pupilas do reitor. Ela é a heroína romântica, capaz de bondade e perdão, tudo isso a diferencia dos demais pela capacidade de ver as injustiças sociais.
- Clara - é a pupila mais nova do senhor reitor. É alegre, comunicativa e um pouco leviana, mas isso não compromete seu caráter. Tem grande amizade à Guida e tenta reparar o sofrimento da infância.
- Pedro - filho mais velho do José das Dornas e extremamente parecido com ele. Essa semelhança o faz seguir os mesmos passos do pai como lavrador. É robusto, disposto e ingênuo.
- José das Dornas - pai de Pedro e Daniel, é um lavrador robusto mesmo aos 60 anos, é um homem alegre, viúvo, forte e rijo. Tem uma formação moral tradicional.
- Daniel - durante a adolescência era delicado e o oposto de seu irmão, o que impediria seu futuro como lavrador. Por conta disso o reitor propõe que seja padre e começa a ensina-lo latim. Seu namoro com margarida faz com que seja mandado para estudar medicina. Ao voltar já está contaminado pelos vícios e comportamentos errôneos da cidade, é namorador e não se lembra de margarida, o que a faz sofrer.
- Padre Antônio - É o senhor Reitor, o pároco local, onipresente, incansável. Destaca-se entre os personagens por sua função de porta-voz do narrador, o que percebe-se por sua presença estratégica e definidora dos rumos seguidos ao longo do romance. Com o "evangelho no coração" ele não apenas representa a imagem do religioso autêntico, militante, cuja vida é dedicada aos outros, especialmente às pupilas, mas configura um personagem nuclear do romance, sendo porta-voz dos valores que Júlio Dinis quer transmitir às massas, utilizando um velho pároco de aldeia como exemplo vivo da força e da austeridade desses valores.
- João da Esquina - Merceeiro que, com sua família, centraliza as fofocas locais. O plano de casar Francisca, sua desmiolada filha, com Daniel, rico herdeiro, ao falhar, torna-o um inimigo irreconciliável dos "das Dornas".
- D. Tereza e Francisca - Respectivamente, esposa e filha de João da Esquina.
- João Semana - O único médico da aldeia, até que Daniel regresse do Porto. Conservador, nacionalista fervoroso, contador de anedotas. Encarna a solidariedade comunitária, com sua medicina-apostolado, a vida sem outro sentido que não seja a prática do bem e a preocupação com os problemas alheios.
- Joana - Criada de João Semana, fiel e maternal. Forte, persuasiva, de coração grande, sempre à disposição do médico, seu amo.
Contexto Histórico
O tempo
histórico é o presente, como convinha a um autor pré-Realista que preconizava a
substituição do maravilhoso psicológico pelo romance de costumes. E presente,
neste caso, é o início da segunda metade do século XIX.
Verossimilhança
Costumes,
festas, valores e personagens. Da estada para tratamento de saúde em Ovar, interior de Portugal, são as
memórias que o autor utiliza na composição de seu romance. Os costumes rurais
portugueses, incluindo aí as maledicências, as beatas de verniz, mas também os
valores positivos do agricultor próspero, cuja moral do trabalho Júlio Dinis dá
como modelo social.
Foco narrativo
O narrador conta a historia em
terceira pessoa, sob uma visão onisciente.
Tempo
Tempo histórico; segunda metade do século XIX. O tempo
narrativo não se pode determinar a extensão, mas vai desde a infância de Daniel
até ele terminar a faculdade.
Espaço da narrativa
Se passa em uma
aldeia típica de Portugal. A obra se caracteriza por reforçar o velho motivo
literário "fugere urbem" (fugir da cidade).

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